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Bactérias presentes nos testículos podem influenciar a fertilidade dos homens

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Esta descoberta de uma equipa de cientistas italianos pode ajudar a descobrir novas opções de terapias para a infertilidade masculina

Existem microorganismos presentes nos testículos e não são completamente inúteis, já que podem dar informações importantes relativamente à fertilidade (ou não) de um homem.

Quem o diz são investigadores do Instituto de Pesquisa e Saúde do Hospital San Raffaele, em Milão, que afirmam que homens com mais tipos de bactérias nos testículos podem ser mais férteis, enquanto que aqueles a quem se encontram menos tipos de bactérias nos seus testículos podem ter menos espermatozóides - e os homens que têm uma quantidade pequeníssima de espermatozóides, que não podem ser extraídos com cirurgia, só têm um tipo de bactéria.

No estudo, publicado na revista científica Human Reproduction, os pesquisadores compararam o esperma de cinco homens com uma quantidade de espermatozóides considerada saudável, com dez que não tinham qualquer espermatozóide no sémen, uma disfunção denominada por azoospermia, e perceberam que os homens férteis têm quatro tipos de bactérias nos testículos - Actinobacteria, Bacteroidetes, Firmicutes e Proteobacteria.

Já as bactérias presentes nos testículos dos homens inférteis analisados, apesar de serem em maior quantidade, pertenciam apenas a um ou dois tipos de bactérias (encontraram apenas bactérias do tipo Actinobacteria e Firmicutes). Ou seja, o microbioma testícular é menos diverso.

Muitos homens recorrem a cirurgia para extraírem os espermatozóides e, várias vezes, esta operação não traz qualquer benefício, já que é difícil prever o seu sucesso. Testar as bactérias presentes nos testículos poderia ser uma boa solução, já que ajudava a evitar muitas cirurgias desnecessárias.

Massimo Alfano, autor do estudo e investigador no Instituto de Investigação Urológica do Hospital San Raffaele, disse ao site Live Science que estas descobertas, "caso sejam confirmadas", podem ajudar a descobrir novas opções de terapias para a infertilidade masculina. O cientista refere ainda que a investigação, embora muito preliminar, já que foram testadas apenas 15 pessoas, é "surpreendente" porque, até agora, pensava-se que não existia qualquer tipo de bactérias nos testículos humanos.