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A igualdade de género também pode ajudar a dormir melhor

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A descoberta é de um novo estudo conduzido por uma equipa de sociólogos da Universidade de Melbourne, na Austrália, e da Universidade de Cincinnati, em Ohio

A luta pela igualdade de género pode ter uma nova motivação: ajudar os casais a dormir melhor. Esta é a conclusão de um novo estudo, Gender Equality and Restless Sleep Among Partnered Europeans (Igualdade de género e insónias entre os casais europeus), realizado por sociólogos da Universidade de Melbourne, na Austrália, e do Departamento de Sociologia da Universidade de Cincinnati, no estado americano de Ohio, no qual se analisaram dados de mais de 14 mil pessoas de 23 países da Europa.

A equipa de investigadores recolheu várias informações do índice de empoderamento feminino da ONU e dos resultados sobre a qualidade de sono do Inquérito Nacional Europeu, e deu conta que, nas sociedades que conseguem criar uma maior igualdade económica e política, o sono tem mais qualidade, tanto nos homens como nas mulheres.

"A diferença de género nas insónias é significativamente reduzida entre os que vivem em países com maior igualdade de género", lê-se no artigo. A Noruega é o país mais alto no índice da ONU, com apenas 3% dos homens a relatarem ter um sono agitado, relativamente aos 9% das mulheres. Já a Ucrânia é o país com o índice mais baixo, com 16% dos homens com alguns distúrbios no sono, em comparação com os 22% relativos às mulheres.

Mas porque é que há tanta diferença no sono feminino e masculino?

O estudo concluiu que as preocupações quotidianas das mulheres e dos homens são muito diferentes e que, por causa disso, o sono é afetado de forma diferente. Normalmente, o sono no sexo feminino é alterado por preocupações familiares (por exemplo, com os filhos), enquanto que os homens podem sentir mais dificuldades em dormir quando têm algum problema relacionado com o trabalho por resolver, ou até mesmo por situações financeiras - já que muitos homens sentem que são responsáveis pelo sustento da família.

Contudo, e de acordo com o estudo, nos locais onde os homens assumem um papel mais ativo no cuidado das crianças e as mulheres exercem profissões com cargos mais elevados, o sono parece ser muito mais equilibrado. "Nas nações que fortalecem as mulheres e elevam o seu status, homens e mulheres relataram ter sonos mais saudáveis", lê-se no artigo.

É importante, por isso, distribuir uniformemente as responsabilidades sociais e financeiras pelos casais, para se conseguir reduzir a pressão e a ansiedade nas famílias, que podem provocar vários distúrbios no sono. De acordo com Leah Ruppanner, uma das autoras do estudo, este equilíbrio vai beneficiar não só as mulheres, mas também os homens, para que ambos os sexos tenham ter um sono de qualidade.