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Três passos para resolver todas as "crises" com filhos

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D.R.

Duas psicoterapeutas norte-americanas propõem um processo de três etapas que, garantem, pode ser usado em praticamente todos os dilemas parentais

No recém-lançado livro Now Say This, de Heather Turgeon e Julie Wright, especializadas em terapia familiar, apresentam um processo de disciplina que se divide em três passos. O "APL" (Attune, Limit set, Problem solve) serve, alegadamente, para resolver quase todas as situações de conflito com filhos.

Em declarações ao jornal The Independent, Heather Turgeon e Julie Wright resumem cada etapa, adaptadas a uma situação que potencialmente leva a birras, como ter de sair de um sítio onde as crianças estejam a divertir-se como uma loja de brinquedos, por exemplo.

Attune (sintonizar): Baixar-se para ficar ao nível da criança e olhá-la nos olhos, enquanto lhe transmite que compreende o seu ponto de vista. Exemplo: "A mãe percebe que não te apeteça sair da loja."

Limit set (estabelecer limites): Explicar com calma a situação. Exemplo: "Agora temos que ir embora, está na hora de ir buscar a tua irmã."

Problem solve (resolver o problema): Acrescentar um compromisso que motive a criança a fazer o que o adulto quer. Exemplo: "Podemos sair de mãos dadas e a cantar juntos uma música pateta pelo caminho ou então levo-te ao colo até ao carro."

Para as autoras, a parte mais importante é mostrar às crianças que estamos preocupados com o que se passa no seu mundo

“Praticar o ALP em momentos difíceis dá aos pais uma oportunidade de liderar com compreensão e gentileza, manter consistentemente limites claros, ensinar regras e ajudar o filho a fazer uma escolha melhor ou a resolver os seus dilemas", acreditam.

Fruto da sua "experiência e de décadas de investigação", as psicoterapeutas garantem que quando os pais são empáticos mas consistentes ao mesmo tempo, as crianças têm maior probabilidade de ver crescer o seu sentido inato de certo e errado, do que quando só se esforçam por fazer a coisa certa quando têm medo de ser apanhadas.

O modelo é apresentado como útil tanto para birras, como para momentos em que as crianças se recusam a cooperar, em que recusam a ir dormir, a conflitos entre irmãos ou discussões na hora de ter de desligar a consola, a televisão ou o tablet.

Heather Turgeon e Julie Wright enumeram ainda uma série de frases nocivas, que aconselham a evitar quando se lida com crianças como "Quantas vezes é que eu já te disse para não fazeres isso?", "Estou farto disto", "Por que é que não ouves?", "Se não desligares isso agora, hoje não comes sobremesa!" ou "Porque eu mandei!"

As psicoterapeutas afirmam que a comunicação é fundamental como forma de conseguir uma ligação segura. "Em momentos difíceis, é muito importante resistir ao instinto de censurar, falar com severidade ou acabar com a comunicação". A solução? "Perguntar-se a si próprio o que deseja da pessoa mais próxima de si em momentos de stress."