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Tem a certeza que sabe o que comer para melhorar de humor?

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Num dia complicado, em que alimentos pensa para melhorar o seu estado de espírito? Sem tentarmos adivinhar a resposta, adiantamos só que os doces e os petiscos fazem-nos pior do que possa pensar

Paulo Miguel Godinho

Alguns alimentos podem ser poderosas ferramentas de combate a perturbações do humor, como a depressão, mesmo nos casos mais graves. Os açúcares, alimentos processados ou ricos em sal, que muitos tem tendência a preferir quando se sentem "em baixo" ou ansiosos, estão, pelo contrário, diretamente relacionados com estes distúrbios.

O Food and Mood Centre da universidade australiana de Deakin publicou um estudo que teve como propósito testar a relação entre o que comemos e as consequências que isso tem no humor. Os 67 indivíduos, homens e mulheres, sujeitos a esta experiência apresentavam algumas caracterísitcas em comum - tinham dietas pouco saudáveis, tomavam antidepressivos e frequentavam, de forma regular, sessões de psicoterapia. Os participantes foram divididos em dois grupos: metade teria que seguir uma dieta saudável e os restantes continuariam a seguir a sua dieta usual, mas com a particularidade de terem de participar em sessões de apoio.

Antes e depois do estudo, que durou três meses, os individuos foram avaliados segundo a escala MADRS (Montgomery–Åsberg Depression Rating Scale), um conjunto de 10 items que procura fazer a medição dos principais sintomas de depressão. Os dados recolhidos mostram que cerca de 32% daqueles que seguiram a dieta saudável, atinigiram o estado de remissão. No caso dos que foram acompanhados nas sessões de apoio, apenas 8% atingiram resultado idêntico.

Uma das formas através das quais uma dieta saudável pode melhorar o estado de espírito de uma pessoa é através do sistema imunitário. Isto porque os mesmos mecanismos de reação ativados para combater lesões agudas, normalmente relacionados com episódios de inflamação, entram também em ação para fazer face a complicações causadas pela alimentação e pelo estido de vida. Se esta inflamação não for resolvida a tempo, o risco de desenvolvimento de uma inflamação crónica de baixo grau aumenta e esta é um fator de risco associado a doenças não transmissíveis, como a diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, Alzheimer ou depressão.

Por isso, comer mal pode resultar numa destas doenças, responsáveis por cerca de 70% das mortes a nível mundial, segundo dados de 2015, da Organização Mundial de Saúde.