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Para as mulheres que não são brancas, as diretrizes atuais podem implicar que seja "tarde demais" quando se descobre o cancro

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José Caria / Arquivo VISÃO

O que é recomendado atualmente em termos de prevenção do cancro da mama pode levar a um diagnóstico tardio da doença para quase um terço das mulheres não caucasianas

Em Portugal e nos Estados Unidos, de onde chega um novo estudo sobre o tema, as recomendações oficiais apontam para a realização da primeira mamografia aos 50 anos. Mas para as mulheres que não sejam de raça caucasiana, pode ser tarde demais. Uma equipa do Massachusetts General Hospital concluiu que se em mulheres brancas o pico dos diagnósticos é atingido na casa dos 60 anos, nas mulheres de outras raças/etnias esse pico surge antes.

Os investigadores alertam que os dados que fixaram a recomendação da primeira mamografia, em mulheres sem fatores de risco, têm por base maior a propulação branca, quando pelo menos um terço das pacientes negras, asiáticas ou hispânicas foram diagnosticadas com cancro da mama antes dos 50. Nas mulheres brancas, isso só aconteceu em menos de um quarto dos casos.

A investigação analisou os dados de quase 750 mil mulheres com idades entre os 40 e os 75 anos, de 1973 a 2010 - a idade média na altura do diagnóstico era de 59 anos para as mulheres brancas, 56 para as mulheres negras, 55 para as hispânicas e 46 para as asiáticas.

A equipa do Massachusetts General Hospital considera que as suas conclusões apontam para disparidades raciais na investigação clínica, o que pode, avisam, ter sérias complicações para a saúde nas minorias na América, com as mulheres a fazerem o exame de despiste só muito depois de começarem a desenvolver a doença.