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Cirurgias às vaginas? Novo guia de saúde desaconselha

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GettyImages

Há crianças com nove anos a quererem mudar a aparência das suas vaginas através da cirurgia estética. Mais de 150 raparigas com menos de 15 anos fizeram-no entre 2015 e 2016. O aumento drástico da procura levou à publicação de um novo guia de saúde britânico com desenhos a explicar que há muitas formas, feitios e tamanhos de vulvas mas nenhuma que seja um modelo

Nos últimos anos, o número de jovens mulheres que procurou na cirurgia plástica a solução para mudar a aparência das suas vaginas aumentou drasticamente. Um estudo da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética (ISAPS) feito em 2017 concluiu que, entre 2015 e 2016, estes procedimentos estéticos – designados de labioplastias – aumentaram 45%. Entre os clientes destas cirurgias encontravam-se meninas com nove anos, que se mostravam descontentes com a aparência da sua vulva. Mais de 200 raparigas que fizeram esta operação tinham menos de 18 anos e mais de 150 tinham menos de 15, revelou o estudo que teve por base respostas de 35 mil cirurgiões plásticos de 106 países.

Por essa razão, a Sociedade Britânica de Pediatria e Ginecologia para Adolescentes (BritSPAG) lançou um novo guia de saúde chamado: “Afinal o que é uma vulva?” O objetivo é dissuadir adolescentes e jovens mulheres de se submeterem a cirurgias genitais, educá-las para os riscos das labioplastias e sobretudo mostrar-lhes que há várias formas e tamanhos de vulvas na anatomia feminina.

“Este recurso ajudará as jovens a entender a vulva e a forma como ela se desenvolve durante a puberdade, particularmente se estão preocupadas com a aparência das suas. Esperemos conseguir mostrar aos jovens que há uma grande variedade de formas e tamanhos de vulvas e que, se precisam de conselhos, sabem onde podem ir”, diz, ao Independent, Louise Williams, especialista em enfermagem clínica do University College Hospital e co-autora do projeto.

Este guia de saúde não só tem explicações detalhadas sobre a vulva, lábios genitais ou o clítoris como apresenta ilustrações de uma vasta gama de vulvas, na tentativa de mostrar que não há uma vagina padrão.

Naomi Crouch, presidente da Sociedade Britânica de Pediatria e Ginecologia para Adolescentes explicou ao jornal britânico que, durante a sua pesquisa para o novo guia de saúde, não se cruzou com uma única rapariga que precisasse verdadeiramente de uma operação genital. "Não há absolutamente nenhuma evidência científica para apoiar a prática da labiaplastia e o risco de danos é significativo, particularmente para as adolescentes que ainda estão em desenvolvimento físico e psicológico. Esperamos que esta fonte explique às meninas e e jovens mulheres que a sua vulva é única e mudará ao longo da vida e que isso é perfeitamente normal.”

De acordo com o guia de saúde, uma labioplastia no Reino Unido pode custar entre mil e 3 mil libras, excluindo custos adicionais de consultas e cuidados de acompanhamento. Infecções, sangramentos e sensibilidade reduzida na área genital são alguns dos riscos decorrentes da cirurgia.