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Os benefícios de ser solteiro para a saúde física e mental (de acordo com a ciência)

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Gosta de ser socialmente ativo, de estar em boa forma física e de, no geral, se sentir bem consigo mesmo? A resposta parece ser óbvia. E, para a ciência, a forma de o alcançar também: manter-se solteiro

O casamento aumenta a probabilidade de sobreviver a um AVC e diminuiu o risco de o voltar a sofrer, além de reduzir também os níveis de stress, como já demonstraram vários estudos. Mas ser solteiro pode também ter uma série de benefícios para a sua saúde física e mental.

Bella DePaulo, psicóloga da Universidade de Santa Bárbara, na Califórnia, é apologista de se ser solteiroe defende os benefícios deste estilo de vida que, lamenta, a psicologia deixa muitas vezes passar ao lado.

Numa palestra TEDx Talk que deu na primavera passada, explicou porque manter-se solteira foi o seu "viver feliz para sempre".

E vários estudos apoiam a sua opinião.

OS SOLTEIROS TENDEM A TER RELAÇÕES SOCIAIS MAIS FORTES

Em 2015, as investigadoras Natalia Sarkisian e Naomi Gerstel decidiram explorar se ser solteiro ou casado influenciava a relações com a família, vizinhos e amigos, dentro da população americana. Descobriram que os solteiros tendiam a ter interações mais frequentes com estes grupos sociais, assim como uma maior probabilidade de procurar e oferecer ajuda – mais do que a contraparte casada. Os resultados mantiveram-se mesmo quando tidos em conta fatores como raça, sexo e nível de rendimentos.

Quer isto dizer que "ser solteiro aumenta as interações sociais de ambos homens e mulheres", como as investigadoras escreveram no estudo.

E isto é bom porquê? Porque, segundo vários estudos, nutrir amizades é essencial para se ser feliz e para envelhecer com qualidade. Um deles, publicado no British Medical Journal em 2008, revelou que as pessoas que mantêm contacto regular com 10 ou mais pessoas são significativamente mais felizes que aquelas que não o fazem.

Ao mesmo tempo, o número de amigos é proporcional à felicidade sentida. Por outras palavras, quanto mais amigos uma pessoa tem, mas feliz tende a ser.

Para as pessoas idosas, as amizades contribuem tanto para a felicidade quanto para uma melhor saúde. Um estudo realizado por William Chopik, professor assistente de psicologia na Michigan State University, defende que "manter alguns bons amigos por perto pode fazer uma diferença monumental para a nossa saúde e bem-estar. Portanto, é inteligente investir nas amizades que nos fazem mais felizes".

OS SOLTEIROS TENDEM A ESTAR EM MELHOR FORMA FÍSICA

Provavelmente já ouviu dizer que a vida de casado engorda. Ora, a ciência subscreve esta superstição.

Através de um questionário a mais de 13 mil pessoas com idades entre os 18 e os 64 anos, um grupo de investigadores concluiu que os solteiros que nunca casaram praticavam exercício físico mais vezes por semana do que os casados ou divorciados.

E não é só. Um estudo de 2015 publicado no jornal científico Social Science and Medicine comparou os índices de massa corporal (IMC) de cerca de 4.500 pessoas em nove países europeus e concluiu que, em média, os solteiros tinham um IMC ligeiramente inferior aos casados. Em adição, os casados pesavam, no geral, quase mais 3kg que os solteiros.

OS SOLTEIROS TENDEM A BENEFICIAR MAIS DO TEMPO PASSADO SOZINHOS

"Estar sozinho não tem de ser o mesmo que estar em solidão", refere Amy Morin, psicoterapeuta. "Pode ser essencial para nos conhecermos melhor a nós próprios".

Morin acredita que passar tempo sozinho pode ajudar as pessoas a serem mais produtivas. Na mesma linha de pensamento, vários estudos associam a solidão a um maior sentimento de liberdade e a níveis mais elevados de criatividade e intimidade.

Numa apresentação para a American Psychological Association, DePaulo apresentou argumentos de que os solteiros tendem a ser mais autodeterminados e a experienciar um maior desenvolvimento psicológico que as pessoas casadas.

Ainda assim, a psicóloga acredita faltarem estudos virados especificamente para os benefícios de se ser solteiro. Nos mais de 800 estudos que analisou, observou que os indivíduos solteiros são comumente utilizados apenas como um grupo de comparação em estudos centrados em pessoas casadas – e não em estudos próprios.

Uma análise ao National Survey of Families and Households de 1998 – um questionário americano utilizado para fins de investigação - demonstrou que as pessoas solteiras contidas na amostra tinham uma maior probabilidade de crescer enquanto pessoas do que as contrapartes casadas.

Resumindo todo o artigo em poucas palavras: As relações românticas têm benefícios, mas estar solteiro também. E mais, "a crença de que as pessoas solteiras são miseráveis e sós e não querem nada mais que tornar-se 'não-solteiras' é apenas um mito", remata DePaulo.