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Como a personalidade pode afetar quem tem alergias alimentares

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Reuters

Investigadores da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, descobriram que há traços de personalidade que podem afetar quem sofre de alergia a alguns alimentos

Neuroticismo, extroversão, flexibilidade, afabilidade e meticulosidade foram os traços de personalidade analisados na investigação publicada no Frontiers in Psychology. O objetivo da equipa do Departamento de Psicologia da Universidade de Otago era investigar se e como estas características afetam a vida de quem tem alergias alimentares.

Ao longo de duas semanas, 108 adultos diagnosticados com alergia ao glúten (54,6%), a amendoim (21,3%), leite de vaca (16,7%) e a marisco (16,7%) responderam diariamente a um inquérito online sobre incidentes relacionados com alergias alimentars naquele dia e os níveis de stress e humor dos participantes.

Os investigadores fundamentaram-se nas seguintes hipóteses:

1) Indivíduos neuróticos teriam problemas de alergia com mais frequência e poderiam apresentar um maior stress diário pela sua predisposição aos sintomas;

2) Extrovertidos poderiam lidar melhor com a alergia devido à sua tendência de vivenciar emoções mais positivas;

3) Pessoas mais flexíveis, isto é, que estão abertas a novas experiências, seriam mais suscetíveis a terem dificuldades porque os cuidados que uma pessoa com alergia deve ter - como na ingestão de novos tipos de alimentos - vão contra a sua personalidade;

4) A afabilidade dificultaria o quotidiano das pessoas com alergia alimentar e, possivelmente, os seus níveis de stress e humor porque iria colocá-las numa posição desagradável;

5) Indvíduos meticulosos sofreriam menos com os impactos da alergia alimentar graças à sua capacidade de planeamento e organização que lhes permitiria gerir melhor a sua condição.

Os resultados, no entanto, supreenderam a equipa: "O facto de o neuroticismo não provocar problemas frequentes de alergia ou mau humor nos dias com mais incidentes foi inesperado. Em vez disso, pessoas mais flexíveis tiveram maior dificuldade. Sentiram fome por não encontrar alimentos adequados tanto em mercados como em eventos sociais, o que os deixou envergonhados e excluídos devido à alergia alimentar", explica Tamlin Conner, uma das autoras do estudo.

As pessoas extrovertidas e afáveis também relataram perturbações, principalmente em ocasiões sociais. Sentiram-se ansiosas e stressadas (provavelmente, segundo a equipa, porque não queriam incomodar ou parecer antissociais), e sentiram falta de tolerância das demais pessoas em relação às alergias.

Por último, os participantes mais meticulosos embora tivessem dificuldades em encontrar restaurantes onde pudessem comer, apresentaram menos alterações psicológicas.