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Em dias frios, cuidado redobrado com o exercício ao ar livre

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Abaixo dos "cinco ou seis graus", é melhor nem pensar em esforços físicos ao ar livre. Até aos dez, sendo saudável, faça-se ao caminho - mas proteja-se bem do frio, sem exagerar nas camadas de roupa quente

Rui Antunes

Rui Antunes

Jornalista

Se gosta de correr na rua ou não abdica de uma caminhada ao ar livre para exercitar o corpo, dê uma pausa às suas rotinas ou tome precauções enquanto durar este frio. Não é recomendável fazer exercício físico com temperaturas tão baixas, a rondar os zero graus ou pouco mais, e pode até ser bastante perigoso no caso de pessoas com problemas cardíacos.

“A regra fundamental é que se deve evitar fazer exercício físico com estas temperaturas muito baixas”, indica José Soares, sobre o esforço físico em espaços exteriores nas atuais condições meteorológicas. O professor de fisiologia da Universidade do Porto explica que “frio e esforço são uma combinação de risco muito grande”, sobretudo em pessoas com problemas cardíacos, porque os “vasos sanguíneos ficam mais fechados” e a “irrigação do miocárdio torna-se mais complicada”. Dá como exemplo o elevado número de enfartes ocorridos nos Estados Unidos da América quando os condutores saem para o frio (mais intenso do que neste canto da Europa) e tentam remover o gelo dos automóveis com uma pá. “Esse esforço, aliado à mudança abrupta de temperatura, provoca muitas alterações do ritmo cardíaco.”

Para quem está muito habituado a treinar ao ar livre e tem uma carreira desportiva, José Soares não vai tão longe, mas sugere o uso de roupa a tapar o nariz e a boca “para o ar não entrar tão frio” no organismo.

O diretor do Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física, Pedro Teixeira, precisa que, "acima dos cinco ou seis graus, não há nenhuma contra-indicação especial em pessoas saudáveis". Diabéticos, hipertensos ou doentes coronários não devem aventurar-se nos exercícios perante estas condições, mas, com a proteção adequada, quem faz da atividade física um modo de vida "não tem de ter receios".

"É preciso algum bom senso com temperaturas abaixo dos 10º, para nos protegermos da hipotermia. Mas em Portugal é muito raro haver casos desses. Claro que, com vento ou chuva, o potential de arrefecimento aumenta, sendo importante o uso de equipamento corta-vento ou impermeável consoante a situação", explica o também professor de Nutrição, Atividade Física e Saúde na Faculdade de Motricidade Humana, em Lisboa.

Cobrir as extremidades, como as orelhas e as mãos, assim como a cabeça e o pescoço, são medidas aconselhadas para evitar a perda de calor. Vestir "duas ou três" camadas de roupa, mas sem provocar sudação excessiva, são outro cuidado a ter em conta. E, depois do exercício, é fundamental sair do frio e mudar para roupa seca.