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Há quem seja capaz de identificar sinais de doença no rosto de outra pessoas antes mesmo de haver qualquer sintoma

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D.R.

Uns poucos segundos é quanto basta para que pessoas sem qualquer tipo de formação médica distinguirem noutras sinais quase impercetíveis de doença. E isto pouco depois do início da infeção

Um grupo de investigadores da Universidade de Estocolmo concluiu que horas depois de uma infeção começar já há sintomas visíveis, como lábios pálidos e com os cantos para baixo ou pálpebras descaídas - sinais que permitem aos outros perceber que alguém está a ficar doente através de um simples olhar para o seu rosto.

"Usamos um número de pistas faciais de outras pessoas e provavelmente estamos sempre a julgar a sua saúde", acredita John Axelsson, co-autor do estudo, descrito no Proceedings of the Royal Society.

Em duas fases, os investigadores injetaram 16 adultos com um placebo e com moléculos de E coli, que rapidamente desencadeiam sintomas semelhantes aos da gripe. Duas horas depois de cada injeção, foram fotografados. Nenhum dos participantes sabia o que continha a sua injeção.

As imagens foram depois mostradas durante um máximo de cinco segundos a 62 pessoas, a quem foi pedido que analisassem se os fotografados estavam saudáveis ou doentes.

Apesar da aparente semelhança das fotografias, os observadores foram capazes de detetar a doença com maior acerto do que se estivessem simplesmente a adivinhar, fazendo-o 52% das vezes. Mais correta ainda foi a avaliação como "saudáveis" - neste caso, a taxa de correção foi de 70 por cento.

E para que serve esta habilidade? Os investigadores acreditam que esta capacidade pode ter-se desenvolvido como forma de defesa, uma vez que, normalmente, é nos estádios iniciais de doença que o risco de contágio é maior.

A esperança é agora, segundo Axelsson, que a Inteligência Artificial consiga captar também estes sinais no futuro. "Vamos olhar para uma app que vai dizer: 'Talvez tenha uma infeção hoje'."