Visão Mais

Siga-nos nas redes

Perfil

Exercício físico intenso três vezes por semana pode abrandar Parkinson

Visão Mais

Spencer Platt / GettyImages

A prática de exercício físico de alta intensidade pode diminuir a evolução da doença de Parkinson, concluíram investigadores americanos

A Universidade Northwestern, EUA, desenvolveu uma investigação sobre a relação entre a prática de exercício físico regular e a evolução da doença de Parkinson. O estudo contou com a participação de 128 pessoas entre os 40 e os 80 anos com Parkinson mas que ainda não tomavam medicação para a doença. Os participantes foram divididos em três grupos, consoante o tipo de atividade que teriam de desenvolver: exercício de alta intensidade, de intensidade moderada e um grupo de controlo que não realizou qualquer tipo de exercício.

Os participantes do grupo de exercício de alta intensidade viram os sintomas da doença abrandar em 15% por cerca de seis meses. Para a atividade ser considerada de alta intensidade era necessário que o batimento cardíaco do paciente estivesse entre 80% e 85% de frequência máxima cardíaca. Os participantes que praticaram exercício físico moderado ou nenhum exercício não apresentaram efeitos positivos.

Este é o primeiro estudo que relaciona a prática de desporto com a diminuição dos efeitos da doença de Parkinson até porque, anteriormente, pensava-se que o exercício físico era demasiado stressante para os portadores desta doença. Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central - cérebro e espinal medula - que provoca perda de controlo dos músculos, tremores, rigidez do tronco e dificuldade em manter o equilíbrio.

Daniel Corcos, autor do estudo e professor de fisioterapia e ciências do movimento humano na Universidade Northwestern, em Chicago, diz que "quanto mais cedo existir intervenção [com exercício físico] mais fácil é de prevenir a progressão da doença". Num comunicado da Universidade, o professor alerta ainda que os medicamentos para a doença de Parkinson provocam efeitos colaterais nocivos, além de que a sua eficácia diminui ao longo do tempo.

Os doentes de Parkinson apresentam falta de dopamina, uma substância química que auxília a transmissão de mensagens entre as células nervosas e que leva aos movimentos voluntários do corpo. A prática de exercício físico de intensidade elevada estimula o corpo a produzir dopamina, o que revela agora efeitos positivos no abrandamento da doença. Os níveis desta substância baixam após a morte das células cerebrais que a produzem. O que ainda não se sabe é o que causa a morte destas células.

Estima-se que 20 mil portugueses sofrem desta doença. A cada ano registam-se 1800 novos casos de Parkinson e prevê-se que a doença aumente nos próximos 20 anos para 30 mil portadores. No panorama mundial, estima-se que existam entre 7 a 10 milhões de pessoas com Parkinson.