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A pílula ainda aumenta risco de cancro da mama

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Ao contrário do que se pensava, o uso de métodos contracetivos hormonais continua a provocar um aumento do risco de cancro da mama tal como as pílulas e os dispositivos intrauterinos mais antigos

Apesar da convicção comum de que as pílulas e outros métodos contracetivos hormonais já não aumentam o risco de desenvolver cancro da mama, como os métodos antigos que continham doses muito elevadas de estrogénio, um estudo realizado na Dinamarca veio mostrar o contrário.

A investigação começou em 1995 e, durante 10 anos, analisou 1,8 milhões de mulheres entre os 15 e os 49 anos para verificar se ainda existia ligação entre o uso de contracetivos hormonais e o aumento do risco de cancro da mama. Durante esse período, foram registados 11.517 mil novos casos.

Estes riscos foram encontrados não só nas utilizadoras da pílula contracetiva mas também nas mulheres que usam anéis vaginais, implantes e alguns dispositivos intrauterinos (nem todos libertam hormonas). Apesar destes resultados, os especialistas alertam que existem benefícios, pois o uso de contracetivos orais está também relacionado com a diminuição do risco de cancro dos ovários, do endométrio e do colorretal em idades mais avançadas.

Os investigadores concluíram que quem usa qualquer método hormonal por 5 ou mais anos regista um aumento de 20% no risco de desenvolver cancro da mama, embora o risco aumente também com a idade e conforme a fórmula do contracetivo usado.

"Tínhamos esperança de encontrar um aumento de risco muito pequeno porque atualmente temos doses mais baixas de estrogénio nos contracetivos, por isso foi uma surpresa para nós encontrar esta ligação", diz Lina S. Mørch, investigadora na Universidade de Copenhaga e uma das autoras do estudo.

As mulheres que tomaram os contracetivos por um ano ou menos registaram um risco de 9% enquanto que as utilizadoras por 10 ou mais anos apresentaram um risco de 38%. Øjvind Lidegaard, outro dos autores do estudo, lembra que tudo apresenta um risco e que os contracetivos não são excepção disso, pelo que sugere que os pacientes discutam com os seus médicos as vantagens e desvantagens dos diferentes tipos de contracetivos no mercado para poderem estar conscientes dos riscos.

Este estudo aparece no seguimento de outro publicado em Novembro, e igualmente desenvolvido por Lidegaard que relaciona o uso de contracetivos hormonais com um aumento do risco de suicídio. A equipa concluiu que as mulheres com alterações de humor, depressão ou histórico familiar de depressão devem ser previamente avaliadas depois de começar o uso dos contracetivos.

Lidegaard alerta que "devemos avaliar individualmente os riscos e os benefícios. Para algumas mulheres [os contracetivos hormonais] são uma boa escolha para usar durante anos. Para outras, como as mulheres com tendências para a depressão, precisamos de pensar duas vezes sobre se devemos ou não dar-lhes um produto que pode deteriorar o seu estado mental. O mesmo se aplica a mulheres que tenham predisposição genética para desenvolver cancro da mama".

São vários os factores que afectam o risco de cancro da mama como, por exemplo, tabagismo, obesidade, ter a primeira menstruação muito cedo ou ser mãe muito tarde. O risco aumenta para todas as mulheres à medida que a idade avança.