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9 razões de saúde para não andar sempre zangado (e um truque para contrabalançar)

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D.R.

Se é verdade que ninguém gosta de se sentir zangado ou irritado também é verdade que para alguns é difícil sair desse registo. Mas por muito fortes que sejam as razões, aqui ficam outras, bem importantes, para lutar contra esse estado de espírito

A propósito da "explosão" do deputado britânico Paul Farrelly depois um debate acalorado sobre o Brexit, o The Mail on Sunday, que recorda que o mesmo político já tinha sido notícia por agredir um vendedor de jornais, em 2010, lembra que quase um terço dos britânicos afirma ter um familiar ou amigo próximo com problemas ao nível do controlo temperamental. Servem o episódio com Paul Farrelly e estes dados para justificar uma compilação de 9 razões para os leitores não se deixarem tomar pela raiva/irritação.

As pessoas zangadas morrem mais cedo

Investigadores da Universidade do Iowa descobriram que homens com idades entre os 20 e os 40 anos e nívels elevados de raiva tinham mais do dobro da probabilidade de estarem mortos daí a 35 anos, em comparação com outros, mais calmos. Um grande número de fatores pode explicar essa associação, como a ligação do stress a danos psicológicos. A libertação frequente de adrenalina durante períodos de stress danifica o ADN, o que pode levar ao surgimento de doenças potencialmente fatais, como a esclerose múltipla.

As pessoas zangadas não dormem bem

A sensação de raiva ativa a amígdala, a região do cérebro associada aos instintos de sobrevivência. Escusado será dizer que com o cérebro em modo de alerta e ansiedade e consequente aumento do fluxo sanguíneo nos membros e coração, o sono torna-se mais difícil...

No entanto, uma equipa de neurocientistas da Universidade de Massachusetts concluiu que, uma vez expostos ao estímulo irritante, mais vale não tentar ignorá-lo - Os participantes na investigação que não falaram sobre os efeitos desse estímulo tinha maior probabilidade de ter insónias do que os tinham feito o exercício de escrever sobre a causa da sua irritação. "Liberta espaço na cabeça", explica Mike Fisher, diretor da Associação Britânica para Gestão da Raiva.

A raiva faz dores de cabeça

Emoções como a raiva levam a um aumento da libertação de hormonas como o cortisol (a hormona do stress), a adrelina ou a testosterona na corrente sanguínea, o que deixa corpo em estado de tensão e o cérebro sob pressão. O resultado, como mostrou um estudo que envolveu 422 participantes saudáveis mas como problemas de gestão de raiva, podem ter dores de cabeça.

Pode desencadear problemas pulmonares

Um estudo da Harvard School of Public Health permitiu perceber que as pessoas com maior tendência para a hostilidade sofrem uma redução no funcionamento do sistema respiratório. Ao longo de oito anos, foram observados mais de 2 mil homens. Os que tinham níveis de raiva/irritação muito elevados sairam-se muito pior num simples exercício de inalação.

Torna as pessoas ansiosas e depressivas

Quando nos sentimos com raiva, os neurotransmissores e hormonas que são enviados pela corrente sanguínea levam a um aumento da frequência cardíaca e tensão muscular. Quando isto acontece muitas vezes, essa reação pressiona os neurónios do hipotálamo, o "centro de controlo de stress" do cérebro, tornando-se difícil desativar o modo de alerta.

E ficam doentes mais vezes

Demasiado cortisol no corpo pode levar a um desequilíbrio dos níveis de açúcar no sangue, no funcionamento da tiroide e até levar a uma diminuição da densidade óssea, concluíram investigadores da Universidade de Southampton. O aumento contínuo de cortisol torna o corpo mais suscetível aos vírus.

Aumenta o risco de doenças cardíacas

Esta é fácil de perceber: Com o aumento da adrenalina, aumenta a pressão sanguínea. O coração bate mais depressa e pode até bater a um ritmo anomal potencialmente fatal. Mas há mais: a adrenalina também desencadeia a libertação de plaquetas, podendo levar à formação de coágulos sanguíneo ou ao entupimento de artérias (sobretudo se já estiverem diminuídas pela acumulação de colesterol). Vários estudos, como este, têm demonstrado a associação entre notas altas na escala de raiva e doenças cardíacas.

Torna a digestão mais díficil

Uma vez ativado o "modo sobrevivência" no cérebro, o sangue é dirigido em maior quantidade às zonas do corpo que precisam de entrar em ação, como os membros (para uma possível fuga), reduzindo-se assim o fornecimento de sangue ao sistema digestivo.

... e até faz rugas

Esta descoberta deve-se a um grupo de cientistas brasileiros, que concluiu que níveis elevados de stress reduzem a disponibilidade de glicocorticoides - as hormonas envolvidas na síntese do colagénio, essencial para a elasticidade da pele. A falta de colagénio contribuiu para uma pele baça e enrugada. Além disso, o sistema imunitário enfraquecido pela resposta ao stress aumenta as reações inflamatórias com os patogenos que proliferam sob a pele.

Um truque para lidar com a raiva

Lembra-se da questão as insónias? De como quem não falava sobre o que o fazia zangar-se dormia pior do que os que "desabafavam" para o papel?

Não é só com o sono que este efeito se verifica. Um estudo da Universidade de Chicago registou que há um risco particularmente elevado de hipertensão arterial nos indivíduos irritáveis que tendem a manter a raiva "abaixo do nível de consciência".

Reprimir emoções deste tipo leva à retenção de um excesso de hormonas do stress nas áreas do cérebro responsáveis pelo processamento de emoções, o que faz como as reações físicas se tornem crónicas.

Por isso, já sabe, se ficou convencido com todas as razões acima mas não consegue deixar de se sentir zangado com o mundo... pelo menos não "guarde" tudo.