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É "pouco provável" que partilhar a cama com os pais faça mal psicologicamente às crianças

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Este é um tema sempre controverso tanto na comunidade científica como "civil": Partilhar a cama com um bebé ou filho pequeno vai-lhe trazer risco/benefício acrescido? Pode afetar o seu desenvolvimento psicológico?

As preocupações dos pais são mais que muitas e as opiniões de médicos e outros pais dividem-se: Será que ao partilhar a cama com os filhos, eles podem tornar-se incapazes de dormir sozinhos? Podem ter problemas de desenvolvimento psicológico ou podem criar uma maior dependência dos pais?

Segundo o psicólogo clínico Yoni Schwab, "não existem efeitos psicológicos negativos" associados à partilha da cama, desde que tanto o pai como o filho estejam felizes com a situação.

Na resposta a uma pergunta da plataforma online da revista Parents, de uma mãe preocupada com o assunto, Schwab explicou que partilhar a cama com os filhos pode até ser benéfico desde que a pratica seja algo normal na cultura familiar.

Este é, contudo, um tema cheio de contradições, com vários estudos que apontam tanto benefícios quanto malefícios da prática.

Um estudo publicado no Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine diz que partilhar a cama com o filho facilita de diversas formas o processo de amamentação. Outro, publicado no jornal Biological Psychiatry, conclui que dormir separado da mãe tem um “impacto profundamente negativo” na qualidade do sono do recém-nascido.

Por outro lado, um estudo publicado no British Medical Journal associa a partilha da cama a um maior risco de Síndrome da morte súbita infantil – ou SIDS, como é conhecido internacionalmente. Outro, no American Journal of Public Health, relata que 64% dos bebés que morre de SIDS partilha o sítio onde dorme, mais de metade com um adulto.

No entanto, o impacto psicológico da prática nas crianças nunca foi muito estudado, explica David Messer ao The Independent, especialista em pediatria da Open University, no Reino Unido.

“Os investigadores não podem fazer experiências sobre este tema controverso devido a razões éticas – não podem pedir a um grupo de mães para dormir com os seus filhos e a outro para não o fazer”, diz.

Existe, no entanto, um estudo recente que conclui que partilhar a cama com os filhos até aos seis anos de idade pode contribuir para o desenvolvimento de problemas do foro psicológico.

Num tema cheio de incertezas como este, uma coisa é certa: Em última análise, cabe aos pais informarem-se com especialistas da melhor forma que conseguirem para tomar depois uma decisão consciente.