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Pais, chefes e outros líderes: Um esquema simples para saber sempre quando elogiar

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D.R.

Os elogios podem fazer milagres, mas há uma "ciência" por trás do elogio certo na hora certa. O psicólogo e autor best seller norte-americano Adam Grant concebeu uma grelha para identificar a melhor altura para o fazer (ou não)

Vem nos "manuais" para pais e também nos de liderança. Vem também em cada vez mais investigações sobre o tema: Os elogios são preciosos e até mesmo decisivos: numa empresa, um elogio a uma acção pode transformá-la em meta que muitos desejam cumprir, assim como o seu contrário, uma reprimenda, classifica automaticamente um comportamento como "a evitar". Em casa, a mesma coisa: um estudo recente concluiu que elogiar os filhos cinco vezes por dia pode trazer grandes contributos ao bem estar das crianças.

O psicólogo organizacional Adam Grant, autor de vários livros de sucesso como o "Dar e Receber" ou "Como os Não Conformistas Mudam o Mundo" aborda a questão numa rubrica do seu site em que responde a perguntas dos leitores.

Uma das dúvidas que merece destaque este mês é colocada por um leitor que pergunta como conciliar a "aparente inconsistência" de nos focarmos ora nos resultados, ora no caminho para lá chegar. "Maravilhamo-nos com os vislumbres de genialidade, mas no fundo queremos acreditar que o esforço deve ser recompensado", enuncia o leitor, que pergunta como pode um pai ou um líder saber quando são os esforços ou os resultados a merecerem mais elogios e encorajamento.

Adam Grant responde que naturalmente sabemos elogiar o sucesso baseado em dedicação e esforço e criticar os fracassos que decorrem que pouco esforço e fala de capacidade para tomar decisões acertadas. "Mas quando o esforço não se alinha com os resultados, como pais e líderes, focamo-nos demasiado nos resultados e de menos nos processos", defende o autor.

Para simplificar a decisão de elogiar ou repreender, Grant propõe uma tabela simples, que começamos por reproduzir:

Ou seja, se não há empenho, não há elogios, independentemente do resultado. Se for positivo foi por "sorte; Se for negativo é um "fracasso" e deve ser criticado. Por outro lado, se há empenho e o resultado for positivo, estamos perante um "sucesso", que deve ser elogiado; mas se o empenho não conduziu a um bom resultado, Grant sugere uma "experiência inteligente": começar a elogiar.

"Se queremos que os nossos filhos e funcionários sejam produtivos e criativos temos de parar de recompensar bons resultados baseados em maus processos e começar a recompensar maus resultados baseados em bons processos", escreve.

Ao Quartz, Grant explica ainda que apesar de isto parecer do domínio do senso-comum, muitas vezes há a tendência oposta porque estamos "socialmente condicionados a criticar o falhanço mesmo quando houve um nível louvável de esforço".

"Vivemos numa sociedade em que o vencedor leva tudo, como diz o economista Robert Frank, em que a atenção, o estatuto e a recompensa vão para os que conseguem subir até lá acima", afirma. "Não há medalhas olímpicas para o treino duro que fica pouco abaixo de um desempenho de nível internacional", lembra.