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Seis "atalhos" para melhorar o seu casamento

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Não há receitas mágicas, mas um psicólogo norte-americano acaba de publicar um livro de que constam seis técnicas rápidas e eficazes para melhorar a qualidade da relação

A satisfação com o casamento diminui comprovodamente ao longo do tempo. Após estudar centenas de casais, o psicólogo norte-americano Eli Finkel, encontrou a raiz do problema: a procura e a oferta emocional não coincidem.

No seu livro "The All-or-Nothing Marriage", o especialista explica que muitas pessoas procuram no seu parceiro um substituto do apoio emocional que sentiam noutros contextos – a família, a igreja, a equipa amadora de futebol ou o clube de leitura. Mas com o tempo dispendido no trabalho e, por vezes, na educação dos filhos, muitos casais andam a passar cada vez menos tempo de qualidade juntos. E a não ser que esteja disposto a diminuir a procura, a única solução é... aumentar a oferta.

É para casos como estes que Finkle recomenda um conjunto de "atalhos amorosos" que são, como define, técnicas certificadas que requerem muito pouco tempo ou esforço e que nem sequer necessitam da aprovação do parceiro. "É uma opção rápida e eficaz que pode demorar apenas alguns minutos por mês", diz. "Não lhe vai dar um casamento perfeito, mas pode certamente melhorar as coisas".

Como cada relação é única, a ideia passa por escolher um ou vários dos seis truques apresentados e pô-los em prática de imediato:

Toque no seu parceiro

Um estudo demonstrou que o toque físico - como um simples dar de mãos - desempenha um grande papel na perceção de amor do casal.

Pediu-se a vários casais que vissem um filme com o parceiro. Algumas pessoas foram instruídas para não tocar no parceiro durante o filme, outras incentivadas a tocar-se de uma forma "calorosa, confortável e positiva".

Depois da experiência, os casais que tiveram contacto físico durante o filme reportaram sentir-se mais confiantes de que eram amados pelo parceiro - mesmo sabendo que tudo fazia parte da experiência. Mesmo com a consciência de que não era um gesto afetuoso sincero, estar em contacto contribuiu para o bem-estar dos casais.

Não tire conclusões precipitadas

Se o seu parceiro não agir corretamente – tal como não retribuir uma chamada - não leve isso demasiado a sério. Varias investigações sugerem que uma das principais diferenças entre casais felizes e infelizes reside na forma em como reagem aos "delitos" do parceiro.

Os casais infelizes tendem a associar automaticamente estes comportamentos a uma "falha permanente" no caráter do parceiro - "se não atendeu o telefone é porque não se preocupa comigo" - em vez de a um possível motivo externo, como por exemplo, um dia mais movimentado no trabalho.

Quando algo não corre de acordo com o esperado, o melhor é não tirar conclusões precipitadas e ponderar durante alguns segundos se poderá haver uma qualquer razão culpada pelo sucedido.

Imagine uma discussão vista de fora

Finkel observou 120 casais durante dois anos e, ao longo do tempo, foi-lhes fazendo perguntas acerca do seu casamento. Durante o primeiro ano, observou um declínio na satisfação de ambos os parceiros.

No inicio do segundo ano, foi sugerido a alguns casais que tentassem uma nova técnica cada vez que discutissem : "pense sobre este desacordo com o seu parceiro na perspetiva de um terceiro elemento neutro que deseje o melhor para todos os envolvidos; uma pessoa que vê as coisas de um ponto de vista neutro. Como poderá essa pessoa pensar sobre a discussão? Como poderá ele ou ela encontrar o benefício proveniente disso?"

O exercício fez uma grande diferença nesses casais, que mantiveram niveis estáveis de satisfação conjugal durante o ano seguinte. Em oposição, a satisfação do grupo de controlo, que não praticou a atividade, continuou a baixar.

Faça uma lista de gratidão

Uma vez por semana, escreva uma lista de coisas que o seu parceiro tenha feito em prol da relação, tal como fizeram os participantes de um outro estudo. Os restantes participantes receberam instruções para anotar ações que eles próprios fizeram com o bem da relação em vista.

Aqueles que escreveram sobre si próprios sentiram-se ligeiramente mais comprometidos na relação, mas aqueles que escreveram sobre o parceiro sentiram-se significativamente mais empenhados – e mais gratos para com o parceiro.

Aceite elogios

Uma das principais causas para um casamento falhado é a "sensibilidade à rejeição" de um dos parceiros. As pessoas com baixa autoestima têm mais dificuldade em acreditar que o seu parceiro as ama verdadeiramente, o que as leva a descartar os afetos demonstrados pelo parceiro, de forma a evitar serem magoados pela rejeição já esperada. Este comportamento defensivo pode ter o efeito contrário ao esperado, podendo levar um parceiro amoroso a pensar que os seus afetos não são reconhecidos e a abandonar a relação.

Como forma de contrariar esta ansiedade, foi pedido a um grupo de pessoas ansiosas que se recordassem de um elogio feito pela sua cara metade. A explicação detalhada do contexto em que o elogio foi recebido não demonstrou um efeito significativo nos participantes. Contudo, o pensamento abstrato sobre o elogio - "Explique por que seu parceiro o admirou. Descreva o que significou para si e o significado para o vosso relacionamento." - ajudou os participantes a reconhecer o valor que têm para os seus parceiros.

Celebre as pequenas vitórias

Quando a sua cara metade lhe conta detalhes do seu dia, demonstre interesse: faça-lhe perguntas sobre o sucedido, entusiasme-se e ajude-o a reviver a situação.

Vários casais foram treinados para usar estas técnicas durante as suas conversas ao fim do dia. Quando observados, conclui-se que ambos os elementos se sentiam mais realizados e felizes com as suas vitórias e, consequentemente, mais próximos do parceiro. Ao partilhar pequenas alegrias, os casais sentiam-se bem – e este "truque" nem sequer lhes ocupou muito tempo.