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Cuidado com o champô! Há novos inimigos para a saúde dos seus cabelos

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Sem silicone, sem parabenos e sem sal. Os condicionadores de lavagem vieram substituir o tradicional champô e amaciador – tudo por um cabelo mais saudável. O meio ambiente também agradece

Multiplicam-se as indicações nas embalagens de champôs e de amaciadores, alertando os consumidores para a ausência de produtos químicos como silicones ou parabenos 
– mesmo quem não saiba de que se trata (ver caixa), fica com a sensação de que não ter estes ingredientes é benéfico para a saúde dos cabelos. Será mesmo? É quase preciso ter um curso de Química para decifrar os componentes de um champô – e um doutoramento em paciência, já agora, para conseguir navegar nos corredores dos supermercados, onde é cada vez mais difícil fazer escolhas, perante tamanha oferta.

Como perceber o que deixa o cabelo mais brilhante e macio, mas que também não seja prejudicial ao meio ambiente? Para muitas consumidoras, as simples lavagens de cabelo com champô, seguidas de uma boa dose de amaciador nas pontas, parecem estar a ficar para trás. E é precisamente ao passado que novos movimentos vão buscar inspiração, como o low poo, que só usa produtos sem sulfatos (responsáveis pela espuma), e o no poo, que aboliu totalmente o champô. Na sua vez usa-se bicarbonato de sódio, produzido a partir de dióxido de carbono e carbonato de sódio tratado, desde 1846, e no fim da lavagem passa-se vinagre de sidra para deixar o cabelo brilhante.

Agora está em voga o co-wash, que mais não é do que a abreviatura de conditioner washing, ou “amaciador de lavagem”. Uma prática que começou a ser adotada por quem tem cabelo crespo (como os africanos), muito seco ou encaracolado, visto que o óleo da raiz não consegue chegar tão facilmente às pontas.

Esta nova vaga de produtos para lavar fizeram ainda crescer mais o espaço dedicado aos cabelos nas prateleiras dos supermercados. Mas não são amaciadores clássicos, atenção. Na embalagem, aliás, costuma estar escrito cleansing conditioner. São produtos com menos químicos, sem conservantes sintéticos, com extratos vegetais e um Ph mais neutro.

É preciso olhar para o fio capilar para perceber a mais-valia dos condicionadores de lavagem. Têm produtos químicos específicos, como os tensoativos, que lavam a sujidade do cabelo, uma vez que são capazes de separar o óleo da água, como nos explica Isabel Serra, formadora no curso de Cabeleireiro no Instituto do Emprego e Formação Profissional. Ao mesmo tempo, os tensoativos abrem a cutícula (parte exterior em escamas) do cabelo, permitindo a entrada dos nutrientes.

A cutícula é a parte que mais sofre, ficando exposta ao sol, vento, mar, poluição, cloro, escovas, permanentes e colorações, entre outro tipo de agressões. Cabe ao amaciador, habitualmente com um ph mais baixo (4,5), a função de voltar a fechar a escama, o que vai dar brilho e luz ao cabelo, explica Isabel Serra, que além de ser formadora também tem o salão Make It Happen – Hair & Style, e é uma das 15 finalistas do prémio alemão Barber Award.

Lavar o cabelo com estes amaciadores à base de óleos essenciais naturais, botânicos e extratos, significa menos agressão para o fio capilar mas também para o couro cabeludo sensível. Contudo, devem começar-se a usar estes produtos gradualmente, uma vez por semana, para que exista uma adaptação, ao nível da oleosidade. Duas semanas, dizem os entendidos, é o que basta para querer gritar aos quatro ventos as vantagens do co-wash. O cabelo fica com um aspeto mais saudável, disciplinado e brilhante – o desejo de qualquer mulher.

LISTA NEGRA

Os novos inimigos para a saúde dos cabelos, dizem eles

Sulfatos

É graças a estes produtos sintéticos, obtidos através da redução catalítica de ácidos gordos, como os dos óleos de coco e de palma, que é criada a espuma dos champôs – para permitir espalhar melhor o produto no cabelo e conferir uma sensação de limpeza. Atualmente, o sodium lauryl sulfate começa a ser substituído por cocoanfoacetato de sódio, um tensoativo mais suave.

Parabenos

Descobertos em 1930, são dos conservantes químicos mais antigos e estão presentes em frutas como o mirtilo, por exemplo. Os parabenos (metilparabeno, propilparabeno, butilparabeno e etilparabeno) servem para prevenir a proliferação de microrganismos, protegendo os consumidores de potenciais infeções, e para prolongar o prazo de validade dos produtos. Como alternativas naturais existe o mel, a glicerina ou a argila (caulim). Em 2004, um estudo da Universidade de Reading, no Reino Unido, encontrou parabenos no interior de biópsias de tumores de cancro da mama, mas outros estudos da Clinical Nurse Specialist – Breast Cancer Care não confirmaram estas conclusões. A polémica instalou-se.

Silicones

Nem todos os silicones são feitos de petrolatos, derivados de petróleo como os óleos minerais, a vaselina ou a parafina líquida. Mas, na sua maioria, servem para dar uma espécie de goma ao cabelo. Como o silicone tem o ph baixo, fecha a cutícula e deixa uma gordura natural que faz com que o cabelo fique pesado.

Cloreto de sódio

Muitas vezes surge como sodium chloride, mas é simplesmente sal. O sal é estimulante, purificante, antissético e adstringente. Suaviza e hidrata a pele, quando utilizado com moderação. Nos champôs também funciona como espessante e, por serem menos abrasivos, os champôs sem sal abrem menos a cutícula e são ideais para quem tem madeixas.

(Artigo publicado na VISÃO 1280, de 14 de setembro de 2017)