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"Pílula masculina chegará dentro de dez anos"

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O preservativo é, até hoje, o único método contracetivo masculino reversível

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Dentro de uma década, evitar uma gravidez não desejada poderá ficar a cargo do homem. Por outro lado, a mulher tem vindo a optar cada vez mais por métodos alternativos à pílula contracetiva

Sara Sá

Sara Sá

Jornalista

Quando chegou, há quase sessenta anos, a pílula contracetiva revolucionou a natureza das relações humanas de uma forma única e, provavelmente, irrepetível. Uma nova mudança na forma como se vive a sexualidade pode estar prestes a chegar. Depois de muitas tentativas falhadas, há finalmente uma versão masculina, com características de segurança e eficácia que lhe permitirão ser aprovada e utilizada pela maior parte dos homens.

"Um consórcio internacional está determinado a desenvolver um contracetivo hormonal masculino, no espaço de uma década", avança a ginecologista Teresa Bombas, presidente da Sociedade Portuguesa de Contraceção.

O preservativo é, até hoje, o único método contracetivo masculino reversível (a vasectomia, por exemplo, não o é). Mas já há algumas alternativas em adiantada fase de desenvolvimento. O que está mais avançado - com previsão de chegada ao mercado em 2020 - é o Vasogel, uma substância que se injeta nos tubos que transportam o esperma, bloqueando-o. O efeito da injeção, dada com anestesia local, pode durar até quatro anos. Para cancelar o seu efeito, basta outra injeção, com um produto que destrói o Vasogel.

O grande desafio tem sido encontrar um medicamento que tenha uma concentração hormonal suficiente para suprimir a produção de espermatozóides (espermatogénese), sem provocar efeitos secundários muito relevantes, nomeadamente ao nível cardiovascular.

"É preciso que haja interesse em desenvolver estes produtos. Mas não há dúvida de que se trata de uma questão de igualdade de género, de dar o mesmo poder, de decidir relativamente a uma gravidez, ao homem e à mulher", opina a médica.

Enquanto isso, a oferta de contraceção feminina não pára, sendo que hoje em dia há uma tendência crescente das mulheres em optarem por métodos que não exigem toma diária. Exemplo disso é o anel vaginal, de utilização mensal, o adesivo transdérmico, os implantes sub-cutâneos ou os dispositivos intra-uterinos.

Teresa Bombas considera muito vantajoso que haja todas estas opções porque "é preciso adaptar a contaceção às várias fases da vida."