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Guia para desfazer os mitos sobre as vacinas

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Alberto Frias

O pediatra Mário Cordeiro prepara-se para lançar o livro 'A Verdade e a Mentira Sobre as Vacinas', no qual, entre outros temas, ajuda a desfazer os mitos que se criaram à volta das vacinas e para quem tem memória curta

A vacinação evita a morte de dois a três milhões de pessoas por ano em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. É a maior conquista da medicina e da saúde pública. Mas a memória é curta e as novas gerações já não se recordam de como, nos tempos dos nossos avós, as doenças agora evitáveis pela vacinação matavam e desfiguravam tantas pessoas.

Por isso, muitas doenças estão a regressar e crianças morrem sem necessidade. Lembra-se do surto de sarampo em Portugal este ano? Numa tentativa de dizer “basta!” às discussões falaciosas, propagadas nas redes sociais e nos media, o livro Verdade e a Mentira das Vacinas, da autoria de Mário Cordeiro, desfaz alguns mitos para que todos estejam conscientes e sejam respnsáveis na hora de decidir vacionar ou não.

MITO 1 - As melhorias das condições de higiene e sanitárias fizeram desaparecer as doenças

FALSO! Enganosamente falso.

A vacinação em massa das populações controlou ou fez desaparecer algumas doenças. "Claro que ter boas condições sanitárias (água potável, saneamento básico, rede de refrigeração de alimentos, controlo da cadeia alimentar, etc.) é indispensável para prevenir muitas doenças infeciosas, designadamente as relacionadas com a qualidade da água, moscas e outros insetos", escreve o pediatra. Mas, acrescenta, em países desenvolvidos, como a Alemanha ou França, onde existem grandes focos de resistência à vacinação continuam a aparecer estas doenças. "Se o desenvolvimento sanitário num país é uma prioridade e permite controlar doenças infeciosas, não evita, no entanto, a circulação dos microrganismos causadores das doenças evitáveis pela vacinação", refere o autor. Só com pelo menos 95% da população vacinada é que se evita surtos destas doenças ou até se pode eliminá-las.

MITO 2 - As vacinas têm imensos efeitos secundários

FALSO! Rotundamente falso!

As vacinas são "extraordinariamente seguras", degende Mário Cordeiro. Comparadas com os medicamentos em geral, são ainda mais seguras. Todos os estudos e dados estatísticos o comprovam.

MITO 3 – As vacinas podem causar a síndroma da morte súbita do lactente…

FALSO! Comprovadamente falso!

A síndroma da morte súbita do lactente nada tem a ver com vacinas. Quando se começou a estudar a síndroma é claro que a hipótese ffoi colocada academicamente. Mas depressa se chegou à conclusão que não era o caso e que não existia uma ligação entre uma coisa e outra.

MITO 4 – Gastar dinheiro e tempo com doenças que já não existem é um bocado idiota

FALSO! Demagogicamente falso!

As doenças evitáveis pela vacinação, entretanto controladas, diminuíram e até desapareceram de alguns pontos do planeta. Mas salvo a varíola – erradicada do mundo e que já dispensa a vacinação no mundo – todas as outras doenças, que podem pouca expressão em Portugal, ainda existem em muitos outros.

MITO 5 – A administração simultânea de várias vacinas pode aumentar o risco de efeitos secundários

FALSO! Cientificamente falso!

A administração simultânea de vacinas, de acordo com todos os estudos científicos, não causa qualquer problema, dado que a imunidade que cada uma estimula é independente. "Aliás, todos os dias a imunidade dos bebés e crianças é estimulada por inúmeros vírus e bactérias com as quais eles contactam, designadamente quando os pais os beijam", explica Mário Cordeiro.

MITO 6 – Ter gripe é uma coisa normal e, além disso, a vacina é fraca

FALSO! Ridiculamente falso!

A gripe pode ser grave, muito grave. As consequências da gripe, para lá dos efeitos incómodos que fragilizam qualquer pessoa, podem ser pneumonias mortais, sobretudo em idosos e em pessoascom a imunidade diminuída, como nas que estão a ser tratadas para cancros. Por outro lado, uma gripe na grávida pode levar a um aborto espontâneo ou a um parto prematuro. E, por fim, uma gripe num recém-nascido é muito grave.

MITO 7 — É melhor ter a doença do que vacinar com vírus atenuados

FALSO! Perigosamente falso!

A doença causa imunidade, mas pode levar a consequências desastrosas e levar mesmo à morte, para lá dos dias em que se está doente (ou até reativações a prazo, como a zona, que é consequência da varicela). A vacina desenvolve a mesma imunidade, mas sem essa parte indesejável.

MITO 8 — As vacinas têm mercúrio

FALSO! Exageradamente falso!

O tiomersal, que algumas vacinas têm como conservante do princípio ativo, principalmente nas vacinas que são dadas em múltiplas doses, não está presente em quantidades que ponham em risco a saúde humana.

MITO 9 – Apanhar muitas vacinas no mesmo dia faz mal

FALSO! Embora se entenda, porque “pai é pai e mãe é mãe!”

É difícil pensar que um bebé pode levar tantas “picadas”, mas, garante Mário Cordeiro, "não há qualquer risco acrescido de reações secundárias" quando se administram simultaneamente as vacinas recomendadas para determinada idade – e até podem ser bastantes.

MITO 10 – As vacinas causam autismo

FALSO! Mentirosamente falso!

O estudo de 1988 que inquietou muitos por considerar possível uma relação entre a vacina antissarampo, parotidite e rubéola (VASPR) e o autismo era uma fraude. O autor desse estudo foi obrigado a retratar-se, dado ter cometido enormes irregularidades metodológicas, para lá da reduzidíssima amostra, e obrigado a deixar de exercer medicina.

MITO 11 — Como toda a gente se vacina, escuso de vacinar o meu filho

FALSO! Arriscado, traiçoeiro e… horrendamente egoísta!

É de um enorme egoísmo querer que os outros nos protejam e nós não façamos o mesmo, dado que não estaremos a contribuir para a imunidade de grupo. "É como não pagar impostos ou outra coisa qualquer de espírito comunitário", escreve o pediatra.

MITO 12 — Os ministérios da Saúde estão feitos com as multinacionais

FALSO! Se não fosse tão grave, dava para rir.

Nos séculos XIII, XIV, XV e XVI, quando houve epidemias de peste negra, tuberculose, sífilis, ou gripe 'espanhola', já em 1918, " eram seguramente os índios americanos, organizados em multinacionais (apesar de não haver aviões nem lnternet) que faziam isso tudo", ironiza Mário Cordeiro, antes de acrescentar "depois, com o que ganhavam, compravam amuletos e faziam totens."