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Beber café reduz risco de mortalidade

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Conclusão de um estudo de longo prazo da Universidade de Navarra, que envolveu quase 20 mil pessoas e durou 18 anos, apresentado este fim de semana no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia

Rui Antunes

Rui Antunes

Jornalista

Beber pelo menos quatro chávenas de café por dia reduz em 64% o risco de mortalidade quando comparado com pessoas que não bebem ou raramente consomem café, de acordo com um estudo espanhol, que envolveu 19.896 participantes desde 1999 e foi conduzido pela cardiologista Adela Navarro, do Hospital de Navarra, em parceria com uma universidade da mesma cidade espanhola.

“Descobrimos uma relação inversa entre beber café e o risco de mortalidade, particularmente em pessoas a partir dos 45 anos”, revelou a médica, na apresentação dos resultados, no passado domingo, durante o congresso anual da Sociedade Europeia de Cardiologia.

Medir a relação entre o consumo de café e a mortalidade, em pessoas de meia-idade, num país mediterrânico, era o desafio da cardiologista quando avançou para a investigação, há 18 anos. Os quase 20 mil participantes, com uma média de 37,7 anos de idade, foram avaliados, em média, ao longo de uma década. E o consumo diário de café mostrou benefícios, segundo a investigadora.

“Os resultados sugerem que beber quatro chávenas de café por dia pode ser incluído numa dieta saudável em pessoas saudáveis”, afirmou Adela Navarro, que não encontrou diferenças na taxa de mortalidade entre homens e mulheres ou entre quem segue muito ou pouco a dieta mediterrânea. Já na relação com a idade, os resultados variaram: nas pessoas com mais de 45 anos, o consumo de café em doses superiores a quatro chávenas diárias revelou uma tendência para uma taxa de mortalidade ainda mais reduzida, informou a Sociedade Europeia de Cardiologia em comunicado.

Estas conclusões estão em linha com outro estudo recente, que juntou uma equipa multidisciplinar para avaliar a relação entre o consumo de café e a taxa de mortalidade em dez países europeus. Financiada pela Comissão Europeia e a Agência Internacional para a Investigação do Cancro, a pesquisa envolveu mais de 500 mil pessoas, num período médio de 16 anos, e concluiu que “beber café foi associado a um menor risco de morte por várias causas”. Os investigadores não identificaram diferenças entre os países estudados, França, Alemanha, Reino Unido, Espanha, Holanda, Grécia, Itália, Suécia, Noruega e Dinamarca.