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A dieta cetogénica voltou a estar na moda, mas tem riscos

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Stefan Wermuth/ Reuters

Emagrecer e depressa parecem duas palavras incompatíveis, mas não quando se trata da dieta cetogénica. É por isso que ela voltou a estar na ordem do dia, apesar de alguns riscos que apresenta

Nesta altura do ano, ouve-se falar em perder cinco quilos em duas semanas, ainda por cima sem se passar fome, e toda a gente quer saber qual o truque. A resposta está na dieta cetogénica, que nada tem de novo, mas tem estado mais associada ao tratamento de um tipo de epilepsia resistente aos medicamentos. Já se sabe: nestas coisas de emagrecer num ápice o que importa é estar na moda.

O regime explica-se de uma penada e percebe-se logo porque não custa muito fazê-lo. Trata-se de reduzir drasticamente a ingestão de hidratos de carbono (apenas 20%) e carregar na quantidade de gordura (da boa, de preferência). O nosso corpo, em vez de ir buscar energia à glicose libertada pelos hidratos, vai abastecer-se de gorduras. Por ser uma dieta rica neste grupo alimentar, levanta algumas problemas.

Marcelo Campos, professor em Harvard, escreveu um artigo, publicado na revista de saúde desta prestigiada universidade em que explica o que se passa no processo (Dieta Cetogénica: Será a Última Dieta Baixa em Hidratos de Carbono Boa para Si?). "A maioria das células prefere usar o açúcar no sangue, que provém dos hidratos de carbono, como principal fonte de energia do corpo. Na sua ausência, começam a decompor a gordura armazenada em moléculas chamadas corpos cetónicos." Esta mudança de fonte de energia ocorre normalmente depois de se estar dois a quatro dias a comer menos de 20 a 50 gramas de hidratos por dia.

Como esta dieta se baseia em muita carne, ovos, salsichas, queijos, peixes, nozes, manteiga, azeite, sementes e legumes com fibra, é fácil descambar para as gorduras más e os alimentos processados e fugir das frutas, que também têm hidratos. "Ao princípio, as pessoas podem sentir-se um pouco cansadas, enquanto outros ficam com mau hálito, náuseas, vómitos, prisão de ventre e problemas de sono", avisa o médico, que desaconselha totalmente esta dieta a quem tem doenças renais.

Outro aspeto que levanta dúvidas sobre este regime são os resultados das análises: "Alguns estudos mostram que ao princípio alguns pacientes experimentam um aumento dos níveis de colesterol, mas passados uns meses eles voltam a cair." No entanto, sabe-se que não há investigação suficiente que averigue o que se passa a longo prazo com esses níveis. E uma das razões será porque ninguém aguenta este tipo de restrição por muito tempo. Lá está - no universo das dietas não há fórmulas mágicas.