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Exercício físico: Dores boas ou dores más?

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Justin Sullivan / GettyImages

As dores musculares resultantes do exercício intenso, apesar de desconfortáveis, são normalmente são vistas como uma forma de o corpo dizer que o treino valeu a pena. Mas nem todas as dores são boas

Um treino de alta intensidade provoca, normalmente, dores musculares desconfortáveis, mas que, já se sabe, fazem parte deste tipo de exercícios. Ter dificuldades em subir escadas ou até mesmo em levantar um braço é normal se, no último treino, reforçou o exercício nessas partes do corpo. Normalmente ,este tipo de dores dura aproximadamente 48 horas e acaba por passar. O que não é normal é, por exemplo, sentir uma dor aguda localizada que insiste em não passar. Pode significar uma lesão e aí deixa de ser uma dor boa.

Fazer esta distinção torna-se fundamental para evitar lesões mais graves que possam surgir posteriormente. “Às vezes é difícil distinguir uma dor da outra. A dor boa, por exemplo, pode ocorrer durante um exercício físico, não o limita e permite que continue o exercício até ao momento em que o músculo se bloqueia devido ao cansaço”, afirma à BBC Juan Francisco Marco, professor do Centro de Ciência do Desporto, Fitness e Alto Desempenho de Espanha acrescentando que a outra dor, neste caso a má, pode ocorrer “devido a uma lesão, que talvez até permita que se prossiga o exercício físico, mas acabará por ter de parar por incapacidade de resposta do músculo ao esforço exigido”.

A BBC cita ainda Francisco Sánchez Diego, diretor do ginásio Corpore 10: Uma dor boa “é sentida no grupo muscular trabalhado, seja durante o treino, seja nos dias que se seguem. É claro que as pessoas que estão apenas a começar, estão mais expostas a dores musculares mas isso não significa que seja mau para o corpo”. Diego explica que quando as fibras musculares não aguentam o esforço dão se micro-roturas que forçam o corpo a substituí-las por umas melhores. Desta forma o músculo está em constante desenvolvimento e vai adquirindo mais força e resistência.

O cansaço associado a uma boa dor é positivo mas facilmente pode transformar-se numa dor menos boa que, segundo Diego, acontece quando o corpo não recupera o necessário após o excesso de trabalho. A falta de descanso do músculo pode originar uma dor má. “A diferença é que a dor boa vai aumentando ao contrário da dor má que surge logo no início do exercício, quando o músculo ainda está frio. À medida que o exercício progride a dor vai diminuindo porque os músculos vão aquecendo, mas é uma dor que persiste e o obriga, mais cedo ou mais tarde, a ter de parar”, afirma Diego.

Ambos os treinadores salientam a importância de distinguir os tipos de dor e de que forma o corpo reage ao exercício a que é submetido de forma a evitar uma lesão mais grave que force o corpo a parar ou até mesmo a precisar de uma intervenção cirúrgica.