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O lado mais negro do perfecionismo

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Reuters

Concluir, preto no branco, que o que levou a um suicídio foi isto ou aquilo é difícil. A ciência vai descobrindo o papel da personalidade nesta escolha e, agora, um novo estudo encontrou uma ligação a um traço em particular: o perfecionismo

O suicídio é cada vez mais comum e com tendência para aumentar entre os jovens. Todos os dias são relatados casos de suicídio e, segundo a Organização Mundial de Saúde, em cada 45 segundos morre uma pessoa por suicídio.

Trata-se de um tema muito delicado e complexo que, normalmente, envolve vários fatores. Traços de personalidade podem desempenhar um papel significativo e, segundo um novo estudo, o perfecionismo é um deles.

Pesquisadores da Universidade de Western Ontario do Canadá entrevistaram amigos e familiares de pessoas que se suicidaram e descobriram que 56% dos casos apresentaram uma “pressão extrema para serem perfeitos”. Segundo os investigadore,s as pessoas que estão sujeitas a pressão para serem perfeitas, são mais propensas a tentarem o suicídio.

Um estudo semelhante realizado em 2013 revelou que 68% dos jovens que se suicidaram eram conhecidos por terem expectativas muito altas, uma característica comum do perfecionismo. Este tipo de características têm um impacto negativo, originando, por exemplo, o senso de inutilidade, o estabelecimento de metas impossíveis de alcançar e o ênfase na precisão e na limpeza. Psicologicamente, o perfecionismo pode ser visto como um fosso entre a forma como a pessoa é na realidade e forma como gostaria de ser. É a diferença entre a expectativa e a realidade.

O perfecionismo é, aliás, frequentemente considerado um dos fatores para os distúrbios alimentares - A busca pelo corpo perfeito leva muitas vezes a que jovens sofram de distúrbios alimentares.

Na escala Almost Perfect Scale-Revised, usada em psicologia, surgem como exemplos de pensamentos perfecionistas o sentimento de frustração que advém da incapacidade de atingir um determinado conjunto de objetivos, a insatisfação constante e a deceção após completar uma tarefa por pensar sempre que poderia ter feito melhor.

A última publicação do Eurostat revela que, dos 4,9 milhões de mortes reportadas na União em 2014, 58 mil (ou seja, 1,2%) foram suicídios. Em Portugal, a taxa de suicídio foi de 11 pessoas por cada 100 mil habitantes.