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Fruta e água às refeições. Sim ou não? O pão engorda mesmo? Enlatados e legumes congelados. Longe deles? 13 mitos e realidades sobre comida

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Andamos há anos a alimentar-nos de certezas que mudam em menos de um “ai”. Aqui se descontroem 13 mitos alimentares para distringuir as verdades absolutas que nos caem no prato dos “diz-que-disse”

MITO:

Açúcar deixa as crianças hiperativas

REALIDADE:

Ninguém sabe ao certo de onde vem a excitação dos miúdos depois de uma festa de crianças, normalmente recheada de todo o tipo de doces. E, até hoje, não se conseguiu estabelecer a ligação direta entre a ingestão exagerada de açúcar e a hiperatividade. De qualquer forma, é certo que esses alimentos, como gomas, rebuçados, bolos e refrigerantes, não são comida “a sério”. Logo, há que doseá-los e, sobretudo, guardá-los para esses momentos especiais de convívio, em que os miúdos, pelo menos, correm e saltam e gastam mais facilmente essas calorias vazias.

MITO:

Beber água às refeições engorda

REALIDADE:

Repita para si mesmo até à exaustão — a água é vazia de calorias, e por isso não pode engordar ninguém. No entanto, é verdade, que se aconselha a não se ultrapassar um copo às refeições; caso contrário irá dilatar o estômago. E, da próxima vez que se sentar a comer, vai precisar de mais quantidade para ficar saciado.

Também se pensa que não há limite para beber água. Diz-se que todos os adultos precisam de cerca de dois litros por dia, mas a quantidade ideal varia de acordo com o peso, a época do ano e o estilo de vida.

MITO

Os sumos detox limpam o organismo

REALIDADE:

Nem vale a pena ir mais longe. O nosso organismo, desde que saudável e bem alimentado, sabe desintoxicar-se sozinho – é também para isso que existe o fígado, os rins e o intestino. Além do mais, uma alimentação à base de sumos é sempre limitada, porque se retira a polpa dos frutos, com ela vai-se a fibra e fica apenas o açúcar, absorvido rapidamente. Quem sofre de diabetes, por exemplo, nunca deve fazer este tipo de “apregoada” limpeza.

Comer vegetais e fruta, claro, mas inteiros, se faz favor.

MITO:

Os enlatados são maus para a saúde

REALIDADE:

Desde o século XIX que existem alimentos conservados em lata. De lá para cá, como se imagina, os processos têm evoluído imenso, e os níveis de sal usados na conservação também diminuíram. Mas o princípio básico mantém-se: primeiro aquece-se o produto a uma temperatura suficiente para matar as bactérias (normalmente 120 graus), e só depois ele é fechado num recipiente estanque para impedir a oxidação. E isto é válido para legumes, leguminosas, peixe, ou marisco, que mantém as suas propriedades e saem muito mais baratos.

MITO:

Testes de intolerância alimentar são bons diagnósticos

REALIDADE:

Não há outra forma de nos referirmos aos tão em voga testes de intolerância alimentar (porque a isso nos obriga rigor científico) e que, ainda por cima, custam um dinheirão – são inúteis. Mas se duvidar da nossa palavra, nada como ler com atenção o que a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica escreveu sobre o tema: ”Não têm qualquer fundamentação científica, não têm utilidade diagnóstica e podem ocasionar erros de diagnóstico graves, com consequentes riscos na saúde individual e pública.” Apesar deste alerta, o negócio continua de vento em popa e os resultados dão sempre intolerância a algum alimento. Note-se que os únicos profissionais que estão habilitados a prescrever testes para despistar interações alimentares são os imunoalergologistas.

MITO:

A fruta deve ficar fora da mesa da refeição

REALIDADE:

A dose recomendada para uma vida cheia de saúde, espera-se que a esta altura já todos o saibam, é de cinco porções diárias de frutas e legumes.

E se só conseguir comê-las à refeição, que seja. Esqueça a sabedoria popular que fala em fermentação. Ou que aconselha a começar pela sobremesa porque corta a absorção da gordura presente na refeição – a fibra dos legumes (salada e sopa) já tem essa função. Aliás, até há vantagens em terminar assim o almoço ou o jantar, especialmente se a fruta for rica em vitamina C, pois é ela que facilita a absorção do ferro de origem vegetal, como o feijão ou o grão.

MITO:

O chocolate só engorda

REALIDADE:

Já houve um tempo em que o chocolate era diabolizado e, só de pensar em comê-lo, uma pessoa engordava. Depois de muita investigação para o tirar da lama, hoje é consensual que a sua versão negra (pelo menos 70% de cacau) tem enormes benefícios, e não só ao nível do humor (esqueça-se o branco e o de leite, com altas quantidades de gordura e açúcar). Um quadradinho (dois, vá) de chocolate por dia pode ter efeitos positivos na saúde do coração e do cérebro, devido especialmente aos flavonoides, antioxidantes e polifenóis presentes no cacau.

MITO

O pão engorda

REALIDADE:

Diz-se em linguagem popular que o pão não engorda, quem engorda somos nós.

Brincadeiras à parte, o dito não está assim tão longe da verdade.

Quando comido pela manhã, nas suas versões mais escuras, com um recheio adequado (leia-se queijo ou fiambre magro), o pão pode integrar qualquer dieta alimentar, O que não pode é estar depois nas outras refeições, ao lado da manteiga, enquanto se espera pelo prato, já de si cheio de fontes de hidratos de carbono. E que, tudo somado, vai dar uma conta calada de calorias que, num dia a dia sedentário, não chegam a ser gastas. Resultado?

Peso a mais e barriga inchada.

MITO:

Os legumes congelados são piores do que os frescos

REALIDADE:

Da próxima vez que usar espinafres ou uns mirtilos congelados para o jantar, não se martirize. Na verdade, esses alimentos, que estão ali sempre à mão, são mais baratos, não apodrecem, sabem bem e não fazem mal a ninguém. Mais: nutricionalmente a diferença é pouca. Fique sabendo que alguns frutos e vegetais são escaldados antes de serem congelados e por isso não oxidam e podem até ativar o teor de fibra desses alimentos.

MITO:

Se for ao ginásio emagreço

REALIDADE:

Lamentamos informá-lo, mas o exercício, por si só, não emagrece ninguém. Tem uma mão-cheia de vantagens, como reforçar os ossos, prevenir doenças cardíacas, combater a depressão, vencer o stresse, mas perder peso não é uma delas. Há até evidência científica a comprovar que queimamos mais calorias quando começamos a treinar, mas isso acaba por estabilizar assim que a intensidade aumenta. Além disso, quando uma pessoa decide mexer-se com regularidade e, consequentemente, perde gordura, ganha massa muscular, fazendo pender o ponteiro da balança para o lado direito. Mais uma vez se diz, a receita é gastar mais do que as que se ingere, e para isso o exercício físico ajuda muito.

MITO:

Contar as calorias é a melhor forma de perder peso

REALIDADE:

Os alimentos não se reduzem às suas calorias. Valem muito mais pelos seus nutrientes do que pelo peso que têm numa dieta. Logo, não se pode reduzir uma vida à contagem de calorias, porque elas podem atuar de forma completamente diferente em cada organismo. Emagrecer consegue-se baseando as refeições em alimentos ricos em vitaminas, minerais e antioxidantes, de forma a controlar a fome.

MITO:

Seguir um regime vegetariano é ser mais amigo do ambiente

REALIDADE:

Podem existir outras vantagens para se ser vegetariano, mas uma amizade mais forte com o meio ambiente não será uma delas. Há que dar atenção, por exemplo, de onde vêm os produtos que substituem a carne e o peixe – a soja e as lentilhas, por exemplo, são quase sempre importadas, o que aumenta exponencialmente a pegada ecológica. Ou seja, mais do que afastar-se do consumo de carne animal, há que olhar para os rótulos e perceber de onde nos chegam esses produtos vegetarianos, como os chamados leites vegetais, por exemplo – em nome de um planeta melhor.

MITO

Hidratos de carbono à noite, nem pensar!

REALIDADE:

Não há dúvida de que, quando se quer emagrecer, o caminho mais direto para o fazer é cortar nos hidratos de carbono. No entanto, perceba-se já que isso implica pôr de lado o arroz, a massa, as batatas, os farináceos, o açúcar e até alguns legumes e fruta. Com esta extensa lista, depressa se chega à conclusão que não se pode estar muito tempo sem eles. Mas há quem tente suprimi-los depois das seis da tarde, altura em que a atividade tende a diminuir. Está certo, até porque eles aumentam a produção de insulina e diminuem a oxidação da gordura. Só que agora novas investigações sugerem que os níveis de adiponectina e leptina, duas hormonas que regulam o comportamento alimentar, se modificam favoravelmente quando se ingere hidratos depois do entardecer, desde que eles sejam limitados ao longo do dia.