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A artrite é o preço a pagar por termos sobrevivido à Idade do Gelo

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Jean-Paul Pelissier/ Reuters

Uma mutação genética que torna mais provável a artrite e tira um centímetro de altura permitiu a sobrevivência dos nossos antepassados a temperaturas baixíssimas

Um estudo conduzido por uma equipa de investigadores das Universidades de Harvard, Stanford e Waterloo descobriu que a mutação de um gene que aumenta o risco de vir a desenvolver artrite foi o que permitiu que os nossos antepassados não morressem de frio quando sairam de África rumo ao Norte, há mais de 50 mil anos.

Atualmente, cerca de metade dos europeus tem esta variação genética, que além de aumentar o risco de artrite também é responsável por cerca de um centímetro de altura a menos.

Esta redução na altura e a falta de mobilidade decorrente da mutação genética podem não parecer uma vantagem do ponto de vista evolutivo, mas não só ajudou o Homem a aguentar o frio extremo como também reduziu o risco de fraturas ósseas decorrentes das caminhadas nas superfícies geladas e escorregadias, que poderiam revelar-se fatais.

O estudo, que analisou cerca de 250 mil pessoas, descobriu um “interruptor” genético que altera a atividade do GDF5, um gene-chave relacionado com a altura, que, segundo os investigadores, é mais frequente na população euro-asiática e muito rara na população africana.

Como a artrite, normalmente, só se manifesta mais tarde, a mutação genética não afetou a capacidade reprodutiva dos indivíduos e assim foi passando de geração em geração.

"Esta variante genética está presente em mil milhões de pessoas e é provavelmente responsável por milhões de casos de artrite em todo o mundo", explica David Kingsley, da Universidade de Stanford.