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7 causas para a queda de cabelo nas mulheres

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© Lucas Jackson / Reuters

A especialista italiana em dermatologia Pucci Romano acaba de lançar o livro "À Flor da Pele", onde revela como interpretar a "linguagem" daquele que é o maior órgão do corpo humano e de onde extraímos o ponto dedicado à queda de cabelo nas mulheres

O número de mulheres que sofre de queda de cabelo está em constante aumento. O stresse e as tensões do dia-a-dia, a poluição ambiental e os tratamentos cosméticos errados são algumas das causas. Na mulher, a queda de cabelo pode ter consequências psicológicas importantes, não apenas porque a cabeleira influencia a agradabilidade estética do rosto, mas também porque perdê-la significa ver comprometida a própria feminilidade. A Torá, o livro sagrado da religião judaica, diz que «os cabelos e a voz de uma mulher são a sua sedução»

Existem seguramente fatores predisponentes e hereditários, mas também períodos específicos da vida, como a menopausa. A carência de estrogénios causada pela menopausa condiciona o vigor dos folículos pilosos porque, durante um certo período, antes de o equilíbrio hormonal se alcançar, prevalece a produção das hormonas andrógenas. De um modo geral, a queda de cabelo nas mulheres é de carácter transitório e com o diagnóstico correto e uma terapia adequada, o recrescimento dos fios fica assegurado. Excluindo os casos de exclusiva competência médica, é possível melhorar o habitat do couro cabeludo: limpeza, controlo do sebo e da caspa, devem ser as primeiras coisas a fazer para dar novo «fôlego» aos bolbos pilíferos.

Os cabelos devem ser tratados com todo o respeito que dedicamos a qualquer outra parte do corpo. Sofrem quando cuidamos pouco deles, quando os stressamos com tratamentos excessivos tais como permanentes, pinturas ou golpes de sol, quando não nos alimentamos corretamente ou andamos ansiosos.

Tecnicamente, a queda anormal de cabelo, causada por acontecimentos stressantes tanto físicos como psíquicos, é designada pelo termo eflúvio telógeno, ou seja, um aumento temporário do número de cabelos que caem no fim da fase de crescimento. Tal processo é a consequência de uma passagem acelerada da fase anágena para a fase catágena e, por fim, para a fase telógena. A queda de cabelo implica o couro cabeludo na sua totalidade, incluindo as partes laterais e posteriores da cabeça. Os cabelos não caem de forma definitiva, voltando a crescer quando o fenómeno termina.

A queda de cabelo pode ser dois tipos:

Aguda - Manifesta-se com uma perda significativa, num tempo breve, em que os folículos com ciclo de recrescimento regular entram prematuramente na fase telógena. Estes episódios podem ser induzidos pela toma de alguns medicamentos (anticoagulantes, medicamentos para a tiroide, para o sistema nervoso, agentes anti-hipertensivos, etc.) ou por problemas como a anorexia, tumores ou graves desordens metabólicas.

Crónica - Não são raros os casos de mulheres que sofrem de uma intensa e persistente queda de cabelo, sem que exista uma causa identificada. Este tipo de perda de cabelo distingue-se dos fenómenos temporários dada a duração no tempo e a tendência para acontecer em diferentes períodos do ano. É muito stressante e é interpretado pela mulher como um risco de calvície precoce. Geralmente, porém, trata-se de episódios reversíveis, embora possam conduzir a um enfraquecimento específico da cabeleira. Com maior razão, portanto, pode ser fundamental que os cabelos e o couro cabeludo sejam cuidados e protegidos. Uma análise atenta do cabelo é indispensável para identificar corretamente as suas causas.

É comum acreditar-se que a quantidade de cabelos que caem é o principal parâmetro para avaliar a saúde da cabeleira. Na realidade, aquilo que conta é a qualidade do recrescimento. Se a cabeleira mantiver uma massa e uma qualidade quase constantes ao longo do tempo, não é preciso preocupar-se com a quantidade de cabelos que vê cair, já que os que caem são substituídos pelos novos. Se tal não acontecer, significa que há um problema de saúde a este nível.

As causas da queda podem ser várias:

1 - Doenças infeciosas - Podem levar ao aumento da queda de cabelo 8-10 semanas após o episódio; habitualmente, a perda é moderada e sempre reversível. A febre provoca uma maior atividade metabólica, que provavelmente vai interferir com a capacidade de replicação das células da matriz dos folículos impedindo-os de proliferarem normalmente.

2 - Fase pós-parto - Durante o período de gravidez, a fase anágena é prolongada e, como consequência, a percentagem de cabelos aumenta progressivamente até atingir cerca de mais 10% no trimestre final. A gravidez é um estado de graça para os cabelos! Depois do parto, porém, a tendência reverte-se e muitos cabelos entram na fase catágena e, depois, telógena. Entre o primeiro e o quarto mês da criança, a queda de cabelo da mãe aumenta, O fenómeno continuará durante vários meses e poderá ser inclusivamente mais intenso se a mãe estiver a amamentar, se estiver anémica ou se tiver níveis altos de stresse. Mas não é motivo de preocupação: a recuperação completa ocorre entre quatro e doze meses. A queda de cabelo no pós-parto é mais marcada na zona frontal e nas regiões temporais, mas pode também ser generalizada: seja como for, nunca é total e tende a ser menos evidente nas gravidezes sucessivas à primeira.

3 - Alimentação carente e dietas drásticas - Considera-se que 30% das mulheres que perdem cabelo antes dos cinquenta anos de idade têm um regime alimentar carente (em particular, pouca fruta e verdura, e demasiados açúcares). A escolha de recorrer a uma dieta drástica, sobretudo entre as jovens, não é insólita; adolescentes com excesso de peso submetem-se com frequência a dietas à base de fruta e verduras, totalmente desequilibradas e, amiúde, sem proteínas. Mulheres com gostos alimentares muito rígidos, ao invés, em certos casos, não ingerem suficientes vitaminas e oligoelementos. Nestas condições, a saúde dos cabelos pode ficar comprometida e causar uma queda não fisiológica.

4 - Distúrbios da tiroide - Hoje sabemos com certeza que existe uma significativa correlação entre o nível e a duração das disfunções da tiroide (hipotiroidismo, hipertiroidismo) e a severidade do fenómeno de queda dos cabelos das mulheres. Tratando do distúrbio a tempo, o problema é completamente reversível; se, pelo contrário, a alteração tiroideia se prolongar por muito tempo pode causar o atrofio de algumas unidades foliculares. Com frequência, o primeiro sintoma de uma perturbação da tiroide é precisamente a este nível: prurido no couro cabeludo, queda abundante de cabelo, cor baça e opacidade são sinais que nos devem deixar alerta. A tiroide modula e regula muitíssimas funções e o seu bem-estar é fundamental para a saúde em geral e para a da pele e dos cabelos em particular.

5 - Intervenções cirúrgicas e anestesias - Mulheres submetidas a intervenções cirúrgicas com anestesia prolongada ou grande perda de sangue podem ser atingidas por intensa queda de cabelo, O recrescimento ocorre geralmente no espaço de quatro meses.

6 - Stresse psicológico, ansiedade e depressão - São, com frequência, causas de eflúvio telógeno. Um luto, uma separação podem desencadear uma queda massiva de cabelo, o que demonstra, mais uma vez, a estrita relação existente entre a pele e o sistema nervoso.

7 - Toma de medicamentos - Medicamentos inibidores da ECA, para a hipertensão, estatinas para baixar o colesterol, excessos vitamínicos (sobretudo de vitamina A) e interrupção da toma da pílula anticoncecional podem ser outras causas de grande perda de cabelo

Os principais exames para determinar outros fatores na origem da queda de cabelo nas mulheres e encontrar os medicamentos certos preveem:

1 - Análises específicas ao sangue: para identificar anemia, carência de ferro, problemas na tiroide, perturbações hormonais e metabólicas.

2 - Consulta tricológica com exame do cabelo: para verificar o deterioramento estrutural que torna os cabelos finos e desfibrados.

3 - Tricograma: a análise ao microscópio de uma amostra de cabelos para identificar eventuais problemas do ciclo de recrescimento.

4 - Dermatoscopia: um exame simples e inócuo, para recolher muitas informações sobretudo sobre a qualidade do recrescimento, permitindo avaliar a eficácia da terapia.

À flor da pele, Pucci Romano, Pergaminho, 2017