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A menstruação não afeta o cérebro da mulher ao contrário do que se pensava

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Um novo estudo vem agora contrariar a ideia de que as mudanças hormonais durante o período menstrual tem impacto nas funções cognitivas das mulheres

Uma investigação levada a cabo por um grupo de investigadores do Hospital Universitário de Zurique concluiu a menstruação não afeta o cérebro da mulher, contrariando a convicção de que a menstruação afeta a capacidade de pensar com clareza das mulheres.

Publicado no Frontiers in Behavioral Neuroscience, o estudo analisou três aspetos da função cognitiva de 88 mulheres - a memória de trabalho (ou operacional), a atenção e o viés cognitivo (um padrão de distorção de julgamento que ocorre em situações particulares) - ao longo de dois ciclos menstruais, com a medição dos níveis hormonais em vários pontos do ciclo.

Os resultados obtidos mostraram que o estrogénio, a progesterona e a testosterona não mostraram efeitos no funcionamento cognitivo.

"Como especialista em medicina reprodutiva e psicoterapeuta, lido com muitas mulheres que têm a impressão de que o ciclo menstrual influencia o seu bem estar e desempenho cognitivo” , esclarece Brigitte Leeners, professora e líder do novo estudo. Mas "as mudanças hormonais relacionadas com o ciclo menstrual não mostram qualquer associação com o desempenho cognitivo".

Os investigadores justificam o estudo com a existência, na literatura científica, de artigos a ligar as hormonas femininas à performance cognitiva das mulheres, como um estudo de Farage, de 2008, ou de Sherwin, de 2012. Outros autores sugeriram que o estrogénio pode ter um efeito significativo na atenção e na memória operacional, como, citam os investigadorses da Universidade de Zurique, Solis-Ortiz e Corsi-Cabrera, em 2008, Hatta and Nagaya, em 2009 ou Jacobs e D'Esposito, em 2011). A equipa de Brigitte Leeners realça, no entanto, que vários trabalhos não encontraram associações consistentes e que os que alegadamente encontraram podem representar falsos positivos, por problemas na metodologia ou "falácias científicas".