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Afinal, o tempo não cura um coração partido

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© / Reuters

A “síndrome do coração partido” é um problema cardíaco grave – causado por períodos de stress intenso – que deixa marcas que, segundo uma nova investigação, nem o tempo consegue curar

Desde filmes, a canções, passando por biografias e poemas, não faltam formas de expressão artística sobre a dor um coração partido. O tema nunca se esgota e há sempre uma nova forma de o abordar. Desta vez, pela mão da ciência: Um grupo de investigadores da Universidade de Aberdeen, no Reino Unido, concluiu que um período de duras emoções pode deixar marcas significativas e até mesmo permanentes.

O estudo, financiado pela Fundação Britânica do Coração, analisou 52 pacientes, com idades entre os 28 e os 87 anos, durante quatro meses, que sofreram o que se chama a “síndrome do coração partido” ou síndrome de takotsubo, que acontece quando, após um período intenso de stress emocional ou físico, dá-se uma deformação no ventrículo esquerdo que afeta a capacidade de o coração bombear o sangue.

A equipa de investigadores realizou ressonâncias magnéticas e ecografias cardíacas para analisar o funcionamento do coração dos pacientes. Os resultados revelaram que a síndrome afetou permanentemente o bombeamento do sangue e atrasou a torção ventricular esquerda (movimento cardíaco em dois sentidos diferentes).

A investigação, publicada no Jornal da Sociedade Americana de Ecocardiografia, registou que três dos 17% dos pacientes morreram cinco anos após o diagnóstico: Cerca de 90% eram mulheres e as causas relacionadas com o stress foram identificadas em cerca de 70% das pessoas.

Na maioria dos casos, o ventrículo esquerdo volta ao normal ao fim de alguns dias. No entanto, Metin Avkiran, da Fundação Britânica de Coração, adverte para os casos mais graves: “Este estudo revelou que, em alguns pacientes que desenvolvem a síndrome de takotsubo, vários aspetos da função cardíaca permanecem anormais até quatro meses depois.”

“É preocupante como a forma de cicatrização desses pacientes indica que a recuperação total pode demorar muito tempo ou pode não acontecer. Isso ressalta a necessidade de encontrar novos tratamentos, mais eficazes, para essa condição devastadora”, acrescenta.

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