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Como o mês em que nasceu influencia as doenças que pode vir a desenvolver

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Christopher Furlong/ Getty Images

Um estudo recente espanhol alega ter descoberto quais são as doenças crónicas que estão mais associadas a cada mês de nascimento

O estudo, realizado na Universidade de Alicante em Espanha, tinha como objetivo avaliar a associação entre o mês de nascimento de um indivíduo e o surgimento de 27 doenças crónicas a longo prazo. Liderado por Jose Antonio Quesada, o grupo de investigadores, analisou o mês de nascimento de cerca de 30 mil pessoas para perceber se a altura em que nasceram influenciou o desenvolvimento de doenças crónicas na fase adulta.

Publicado no jornal Medicina Clinica, o estudo descobriu, por exemplo, que os bebés que nasceram em agosto têm o dobro do risco de terem asma do que aqueles que nasceram no início do ano. Já os homens que nasceram em junho têm menos 34% de probabilidade de desenvolverem uma depressão e menos 22% de probabilidade de vir a sofrer de dores lombares.

Mas, segundo esta investigação, o melhor mês para nascer é mesmo setembro: os bebés que nasceram neste mês são os que têm a menor hipótese de desenvolver qualquer tipo de doença crónica.

Os investigadores acreditam que uma possível explicação está na exposição à luz solar. Enquanto a luz solar estimula a produção de vitamina D, a sua falta, nos primeiros meses de vida, pode ter efeitos prolongados na saúde física e mental. Em Portugal, os pais são aconselhados a dar vitamina D (que ajuda a regular milhares de genes durante o desenvolvimento) ao longo dos primeiros 12 meses de vida dos bebés.

"O mês de nascimento pode funcionar como um indicador de períodos de exposição precoce a vários fatores, como raios ultravioletas, vitamin D, temperatura, exposição sazonal a vírus e alergias que podem afetar o desenvolvimento no útero e do recém-nascido nos primeiros meses de vida", explica o Quesada.

Segue-se a lista completa das doenças crónicas mais prováveis, consoante o mês de nascimento, segundo este estudo:

Janeiro

Homens: prisão de ventre, úlcera de estômago, dor lombar

Mulheres: enxaqueca, problemas de menopausa, ataque cardíaco

Fevereiro

Homens: problemas de tiróide, doenças cardíacas, osteoartrite

Mulheres: osteoartrite, problemas de tiróide, coágulo de sangue

Março

Homens: cataratas, doenças cardíacas, asma

Mulheres: artrite, reumatismo, prisão de ventre

Abril

Homens: asma, osteoporose, problemas de tiróide

Mulheres: osteoporose, tumor, bronquite

Maio

Homens: depressão, asma, diabetes

Mulheres: alergias crônicas, osteoporose, prisão de ventre

Junho

Homens: problemas cardíacos, cataratas, bronquite crónica

Mulheres: incontinência, artrite, reumatismo

Julho

Homens: artrite, asma, tumores

Mulheres: dor de pescoço crónica, asma, tumores

Agosto

Homens: asma, osteoporose, problemas de tiróide

Mulheres: coágulos sanguíneos, artrite, reumatismo

Setembro

Homens: asma, osteoporose, problemas de tiróide

Mulheres: osteoporose, problemas de tiróide, tumores malignos

Outubro

Homens: problemas de tiróide, osteoporose, enxaqueca

Mulheres: colesterol alto, osteoporose, anemia

Novembro

Homens: problemas crônicos de pele, doenças cardíacas, problemas de tiróide

Mulheres: prisão de ventre, ataques cardíacos, varizes

Dezembro

Homens: cataratas, depressão, problemas cardíacos

Mulheres: bronquite crónica, asma, coágulos sanguíneos

Os resultados deste estudo, não são, no entanto, consensuais. Robert Cuffe, embaixador da Royal Statistical Society, uma sociedade de estatísticas britânica, fala em “astrologia", que "nunca foi grande ciência”. "Se procurarmos nos 12 meses cada uma das 27 doenças nos dois géneros (628 combinações possíveis), certamente vamos encontrar padrões de probabilidade que parecem extradordinários", desvalorizou Cuffe, em declarações ao The Independent.

O especialista nota ainda que muitas das associações encontradas são diferentes das de um estudo semelhante, efetuado há dois anos, o que não aconteceria "se estas fosse associações reais".

Cuffe refere-se a um estudo de 2015 da Universidade de Columbia, que concluiu que as pessoas que nasceram em maio tinham um menor risco de desenvolver uma doença ao contrário das que nasceram em outubro.