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Ele está magro. E pálido. Eu compro-te uma pastilha. Não se pega assim no bebé: As armadilhas dos avós à lupa

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Wesley Hitt/ Getty Images

Quando nos apaixonamos, comportamo-nos, por vezes, de forma egoísta ou até um pouco cega. É por isso que os avós podem facilmente cair em várias armadilhas, como estas analisadas pela ergoterapeuta e professora canadiana Francine Ferland no livro Os avós hoje - Prazeres e armadilhas

Ingerência nas decisões parentais

A primeira e, seguramente, a mais perigosa de todas estas armadilhas é a ingerência dos avós nas decisões parentais que dizem respeito à educação ou aos hábitos de vida da criança. Esta ingerência manifesta-se de diferentes formas, por exemplo, através de comentários insidiosos, cheios de subentendidos.

«Não te parece que ele não engorda e está pálido?» Subentendido: «Ele tem um ar doente, vocês não tomam bem conta dele.»

«Fiz-lhe um puré de legumes e ele, literalmente, devorou-o.» Subentendido: «Eu sei alimentá-lo adequadamente.»

«Já vai entrar para a creche no próximo mês?» ou «Vais-lhe furar as orelhas?» Subentendido: «Vocês não tornam as melhores decisões para a criança.»

A ingerência na educação da criança pode ainda manifestar-se através de avisos mais intrusivos.

«Com quinze meses e ele ainda não se controla? Quando tinhas treze, já ias ao bacio e já não usavas fraldas.»

Eis uma forma muito pouco subtil de a avó salientar aquilo que lhe parece ser um desmazelo em termos de educação.

«Devias começar a dar-lhe cereais. É por isso que ainda não dorme a noite inteira.»

Os tempos mudaram; antigamente, os bebés começavam a comer cereais muito cedo. Novos tempos, novos hábitos.

«Deixas que ele brinque no computador? Não é bom para os seus olhos.»

«Ele escolhe as suas próprias roupas? Vai acabar por pensar que é o rei da família e vai fazer tudo o que quer, acredita na minha experiência.»

«Pegas no bebé assim que ele começa a chorar? Vais mimá-lo. Depois dás-me razão.»

Nestes exemplos, a avó assume uma posição de autoridade absoluta e imiscui-se, mais uma vez, na educação das crianças.

«Então, uma pequena guloseima não pode fazer mal!»

Com esta observação, a avó compromete a autoridade dos pais e não respeita os seus valores.

A ingerência pode acontecer também na ausência dos pais, quando os avós estão em contacto direto com o neto.

«Os teus pais não te querem dar pastilha elástica? Anda, eu vou comprar-te uma.»

Confusão certa para a criança; os pais não lhe dão pastilha elástica porque não gostam tanto dela como a avó?

Este tipo de ingerência acentua-se ainda mais quando, por razões diversas, a avó ou o avô vivem com a jovem família. A tentação de se envolver na educação da criança pode ser grande, transmitindo-lhe, com ligeireza, conselhos e comentários.

Por que é que alguns avós adotam esta atitude? Podemos avançar algumas razões. Os avós desejam, talvez, desenvolver uma relação autoritária para manterem a influência que tinham sobre o seu filho. Os pais atingiram, no entanto, a sua maturidade física, intelectual e afetiva, e estão agora em condições de assumir as suas decisões e de fazer as suas escolhas de vida, incluindo ter filhos e educá-los à sua maneira. Com filhos que se tomaram pais é preciso criar um novo vínculo, que seja mais igualitário do que autoritário.

Por outro lado, os avós podem ter dificuldade em se distanciar do filho, deixando que seja ele a tomar as suas próprias decisões e a fazer as suas experiências, e justificam esta sua atitude com o desejo de lhe evitar problemas, erros ou dificuldades. Todos os pais desejam proteger os filhos, afastando-os dos perigos e prevenindo os acidentes. Este comportamento é normal e desejável quando a criança é muito pequena. Contudo, à medida que o filho cresce, os pais devem aprender a distanciar-se e a deixá-lo viver a sua vida como ele deseja, e com mais razão ainda quando ele se torna pai ou mãe. Mesmo quando desejamos que o nosso filho beneficie da experiência passada e que não repita os erros que nós próprios cometemos, é imperativo deixá-lo fazer as suas escolhas, conduzir a sua vida como bem entende e educar os seus filhos à sua maneira.

É apanágio da geração precedente querer sempre que aquela que vem a seguir beneficie da experiência acumulada, mesmo quando esta não pede nada. Ora, cada um deve fazer as suas próprias experiências. Os avós não devem tomar-se os treinadores dos pais, mas sim apoiá-los nesta nova tarefa através do seu incentivo e apoio incondicional.

É preciso também banir qualquer frase começada por: “No meu tempo”. Todos os pais reagem negativamente a esta evocação do passado, em que as coisas se faziam de outro modo e em que tudo corria, ao que parece, tão bem. São também de evitar as pequenas palavras delicodoces, como por exemplo “meu bebé”, que deixam fazer crer que os avós se querem apropriar da criança.

Papel de mediadores: atenção, perigo!

Os avós são muitas vezes solicitados para agirem como mediadores em caso de conflito. Mesmo quando, no imediato, o seu contributo é apreciado, o risco de nos aborrecermos quando os chamamos a intervir é real. Quando for possível, é melhor abstermo-nos. Uma escuta atenta às queixas dos pais é mais útil do que uma participação efetiva na resolução do problema. O facto de se estar envolvido na dinâmica familiar, mesmo que de longe, pode levar a que os avós deem uma ajuda pontual se o problema for sério.

Rivalidade avó/filha ou avó/nora

Segundo um estudo francês, 32% dos avós discordam da educação dada à criança, em especial a que existe em casa do filho e da nora. Não é de admirar que a educação da criança se tome muitas vezes fonte de discórdia e faça surgir uma rivalidade ou confrontação quanto aos princípios educativos a privilegiar. Mais habitual hoje do que antigamente, esta rivalidade põe em causa a avó e a filha ou a nora. A avó considera que o seu método é o melhor, enquanto a filha ou a nora o julgam ultrapassado: «Hoje, já não se faz assim.»

Problemas como este são mais ou menos frequentes consoante a relação existente entre ambas antes do nascimento da criança. Se a mãe ou a sogra já criticavam constantemente as atitudes da filha ou da nora, ou se esta se opunha sistematicamente aos seus conselhos, o problema da rivalidade e do confronto tende a manter-se depois do nascimento do bebé.

Nas famílias reconstruídas, estas divergências podem ser acentuadas pela presença de várias avós, que disputam, por vezes, o monopólio do conhecimento em matéria de educação.

A sabedoria de uma avó não está na negação da existência de divergências com a sua filha ou nora, mas antes na capacidade de as guardar para si.

Rivalidade entre avós paternos e maternos

Pode acontecer também que surja alguma forma de rivalidade entre avós maternos e paternos. Se uns fazem mais atividades com o neto, se o veem mais frequentemente ou se recebem a sua visita mais vezes, os outros podem sentir algum ciúme ou julgar que são menos amados. Em reuniões de família, pode acontecer que algum dos avós sinta uma ponta de inveja quando vê o seu neto ou neta precipitar-se para os braços dos outros avós. E qualquer avô deseja ser o preferido dos netos.

Esta rivalidade entre avós manifesta-se, em algumas situações, por uma corrida ao presente mais sofisticado; desejamos oferecer à criança uma prenda cara, mais sofisticada do que a dos outros avós, pensando que assim ganhamos a sua afeição. Contudo, ao querer possuir aqueles que amamos, arriscamo-nos, sobretudo, a envenenar as relações.

Em vez de invejar os outros avós, que tal criar vínculos afetuosos com o nosso neto? Por ser diferente da relação que a criança estabelece com os outros avós, esta enriquecerá a sua vida.

Tomar sistemicamente o partido da criança

Dar sistematicamente razão à criança quando ela se queixa dos pais contribui para complicar a relação pais/avós. Com este comportamento, os avós passam a imagem de que desejam apropriar-se do neto. Ao criticar, julgar e repreender os pais, eles agem como se, de alguma forma, quisessem substitui-los.

«A tua mamã castigou-te, meu querido? Vem, a avozinha vai-te consolar.»

Além de minar a autoridade dos pais, este tipo de comentário quebra a coerência de atitudes entre os adultos que rodeiam a criança e provoca nela um sentimento de confusão.

Quando a criança se queixa dos pais, os avós devem ouvir atentamente o que ela tem a dizer, mas é preferível que se mantenham neutros. No entanto, pode ser necessário responder à criança algo como: «Vejo que esta situação é difícil para ti; talvez possas falar com os teus pais sobre o assunto.»

Tomar sistematicamente o partido dos pais

Ao contrário, muitos avós tomam sistematicamente o partido dos pais. Também este comportamento pode gerar tensões, pois a criança tem a sensação de que todos os adultos estão contra si.

Os avós não devem tomar posição nos conflitos familiares; as decisões relativas à criança pertencem aos pais. Mas podem oferecer um ouvido atento às queixas dos netos e às dos pais.

Dar toda a atenção ao neto em detrimento dos seus pais

O nascimento de um neto é um acontecimento que traz muita alegria. Rapidamente, o bebé ocupa um enorme espaço no coração dos seus avós. Um pouco como o novo pai que se sente, por vezes, posto de lado pela mulher após o nascimento do filho, também alguns novos pais se sentem relegados para segundo plano pelos avós; a criança toma todo o espaço na sua vida e a sua atenção está inteiramente voltada para ela.

Mesmo quando adultos, mesmo quando eles próprios são pais, os filhos continuam a sentir necessidade de saber que contam para os seus pais, que são importantes para eles. É claro que um pequeno ser que chega às nossas vidas como um presente do céu é algo de cativante para os novos avós, mas é preciso cuidado para não negligenciar aqueles que permitiram que isso fosse possível.

Utilizar a criança como fonte de informação

Quando a criança revela um acontecimento ocorrido em sua casa, os avós podem ter tendência para lhe arrancar informações, questionando-a sobre a relação entre os pais e sobre as suas reações a diversas situações para satisfazer uma curiosidade doentia. Utilizar a criança como fonte de informação acontece igualmente em algumas famílias reconstruídas: os avós são, por vezes, tentados a saber como se comporta o novo cônjuge da mamã ou a nova amiga do papá e o que se passa na nova família. Questionar a criança pode deixá-la numa situação desconfortável e comprometer a sua relação com os avós.

Presença asfixiante

Alguns avós impõem uma presença asfixiante e pesada, e os jovens pais têm dificuldade em assumir o seu lugar na sua própria vida, em evoluir como seres humanos, em estabelecer o seu próprio funcionamento de família e em criar um círculo de amigos e de rotinas diárias que funcionem.

Esta invasão de espaço está longe de ser desejável e pode tornar-se incómoda. Estamos a falar, entre outros, de hábitos exigentes criados pelos avós, por exemplo, esperarem que os netos lhes telefonem todos os dias, O espaço de intimidade necessário à pequena família é invadido e os pais sentem-se culpados por nem sempre corresponderem às exigências dos avós.

No primeiro capítulo, mostrámos que os avós são os veículos das tradições familiares. No entanto, estas podem tornar-se asfixiantes e difíceis de gerir para a jovem família. Basta pensar na tradicional visita aos avós de domingo à tarde. Durante décadas foi assim; todos os domingos, as famílias reuniam-se em casa dos avós. Hoje, a situação é diferente. Os pais que trabalham durante a semana precisam do domingo para completar as suas tarefas ou para passarem tempo com os filhos. Mas correm o risco de se sentirem culpados por não poderem perpetuar a tradição, e as duas partes sentir-se-ão infelizes. Porém, podemos evitar transformar alguns hábitos em tradições pesadas e difíceis de suportar. As tradições inventam-se e reinventam-se. Assim, se o hábito era reunir a família para a consoada de Natal, a presença de uma criança pode justificar antecipação do jantar para evitar acordá-la a meio da noite. E os pais ficarão gratos aos avós se estes souberem mostrar alguma flexibilidade que tenha em conta a sua nova realidade.

Para alguns avós, uma presença invasora pode justificar-se pelo facto de o novo bebé ser o seu único centro de interesse. Toda a sua vida gira em torno desta criança; tudo é feito em função dela. As atividades ou as pessoas que lhe são estranhas são postas de lado. Eles telefonam todos os dias para saber as novidades, estão sempre a comprar-lhe coisas e esperam a sua visita com frequência.

Por outro lado, todas as pessoas precisam de amigos da sua idade, de interesses variados e de atividades diversas: são estes os fundamentos de uma vida equilibrada. Se os avós pensam em si próprios, se têm uma vida preenchida e amigos que completam as suas necessidades de socialização, correm menos riscos de ficarem à espera de que o seu filho ou a sua família satisfaçam todas as suas carências. Uma vida distinta do seu papel de avós enriquece a sua relação com o neto. Depois, terão histórias para lhe contar, novos conhecimentos para partilhar com ele e um prazer sempre renovado em vê-lo; num contexto destes, a própria criança sente mais prazer em reencontrar os avós. Pelo contrário, se os avós vivem a sua vida inteira através do neto correm o risco de cair na armadilha seguinte: fazer demais.

Fazer demais

Embora possa assemelhar-se à anterior, esta armadilha distingue-se por ser um conjunto de iniciativas excessivas da parte dos avós. Sem ter em conta as necessidades reais dos pais, os avós tomam as iniciativas que lhes agradam a si próprios. Por exemplo, insistem com os pais para que façam uma saída a dois, mesmo quando estes não o desejam:

«Viemos tomar conta do nosso docinho; aproveitem a noite para ir ao cinema. Vão, nós tratamos de tudo: vá, vão-se embora, vai fazer-vos bem.»

«Nós tomamos conta do nosso queridinho durante o dia: de certeza que vocês têm muita coisa para fazer os dois.»

Noutros casos, os avós tomam as decisões sem consultarem os pais:

«Comprei-lhe umas novas chupetas; são muito mais confortáveis do que aquelas que tu utilizas. Ah, e já agora, comecei a dar-lhe uma colher de cereais com o leite; ela adora!»

«Comprei-lhe uma pequena televisão para que possa ver os seus programas no quarto; tenho a certeza de que vai gostar.»

Ao tomarem estas iniciativas sem falar delas aos pais, os avós não têm em conta os seus valores e intrometem-se nas suas escolhas educativas. Pode até acontecer chegarem a oferecer um animal à criança sem o discutir previamente com os pais; a aquisição de um animal doméstico representa uma decisão importante que cabe à família. Estes avós querem trazer alegria, mas fazem demais.

A intensidade e a frequência das iniciativas tomadas pelos avós retiram-lhes todo o valor. Mesmo quando não têm uma consciência plena das suas atitudes, os avós ocupam um espaço desmesurado na vida da criança ao agirem desta forma. E há um ditado popular que diz: «Tudo o que é de mais, é moléstia.»

Para resolver problemas de ingerência excessiva ou de presença invasora dos avós, alguns pais limitam os contactos com eles. Esta decisão é, por vezes, sentida como cruel pelos avós, mas, em certos casos, é a única opção possível para que pais e filhos tenham uma vida familiar sã.

Desejo excessivo de estar no centro da vida familiar

Alguns avós reagem negativamente quando os seus filhos se encontram sem a sua presença. Ficam magoados ao saber que, por vezes, se reúnem para jantar sem eles. Porém, é preferível que o vínculo entre os filhos de uma mesma família não passe sempre pelos pais. Quando eles partirem, as relações prosseguirão mais facilmente do que se os pais tivessem estado sempre no centro dos contactos entre os irmãos.

Suscitar o ciúme entre os filhos

Se não tiverem cuidado, os avós podem, por vezes, suscitar o ciúme entre os seus filhos. Isto acontece, por exemplo, quando, durante as discussões em família, os avós criticam o comportamento parental de algum dos seus filhos, salientando, com um orgulho um pouco exagerado, os êxitos educativos de outro.

«Viste o teu irmão? Ele é mesmo um pai excecional!»

«Vais ter problemas com os teus filhos. Deixa-los fazer tudo. Devias seguir o exemplo da tua irmã.»

Além de suscitar o ciúme entre irmãos, esta atitude pode levá-los a concluir que o amor dos pais não é o mesmo em relação a todos os seus filhos, nem em relação a todos os netos.

Quando os pais exploram ou criticam os avós

Contrariamente às situações anteriores, que têm a ver com as atitudes dos próprios avós, também os pais podem criar contextos problemáticos.

Alguns avós são, realmente, explorados pelos filhos. São de tal modo solicitados que ficam sem um minuto para si.

Pedimos-lhes que fiquem com o neto ao fim de semana, que o vão buscar ao jardim de infância ou à escola, que o levem a alguns encontros e que façam algumas compras. Os pais consideram estes pedidos normais e óbvios, em especial quando os avós estão já aposentados. Porém, podemos ver nesta atitude uma forma de exploração dos avós, que estão constantemente ao serviço dos netos.

Se os avós se tornaram o único recurso da família foi, por um lado, porque os pais sistematicamente recorreram a eles sem refletir, logo desde os primeiros meses de vida da criança, e, por outro, porque os avós sempre responderam de forma positiva aos seus pedidos.

Os avós que ficam com os netos ao fim de semana podem levar alguns dias a recuperar da fadiga acumulada, em especial se ele acorda de noite. Quando se é mais velho e se acorda durante a noite, não se volta a adormecer com a mesma facilidade. Os avós ficarão com prazer com o seu neto um fim de semana de vez em quando, mas é demais pedir-lhes que o façam de duas em duas semanas. Têm de aprender a dizer algumas vezes “não” para evitar excessos. Não é egoísmo da sua parte, mas, acima de tudo, uma forma de protegerem a sua saúde.

É importante que os pais tenham uma boa rede social para não esgotar os avós. Ao identificarem pessoas que os possam ajudar de vez em quando, os pais criam formas que lhes permitem evitar situações problemáticas. Se já têm um compromisso, os avós ficam mais à vontade para responder negativamente a um pedido dos pais, pois sabem que estes podem contar com outras pessoas. E, depois, ficarão satisfeitos por responder positivamente às solicitações ocasionais e o prazer de estar com os netos será redobrado. Assim, é importante encontrar o equilíbrio quando pedimos ajuda aos mais velhos.

Outros avós são constantemente criticados pelos filhos, independentemente do que façam. Todas as suas iniciativas são julgadas inadequadas pelos pais, que consideram os avós ultrapassados, demasiado severos ou demasiado conciliadores.

Todas estas armadilhas podem impedir os avós de estabelecer uma interação afetuosa e serena com o neto.

Os avós hoje - Prazeres e armadilhas, Francine Ferland, Multinova, 2017