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Está encontrada a razão por que as mulheres têm maior propensão a ter asma

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Getty Images

Uma vez atingida a puberdade, as mulheres têm duas vezes mais probalidades de sofrer de asma do que os homens e um grupo de investigadores quis perceber porquê

Apesar de ser mais frequente em crianças, a asma é duas vezes mais comum e mais grave em mulheres do que em homens, na fase adulta.

"Há uma observação clínica interessante de que as mulheres são mais afetadas e desenvolvem tipos de asma mais graves que os homens, pelo que quisemos perceber porque é que isso acontecia", comenta Cyril Seillet, do Instituto Walter e Eliza Hall , na Austrália, co-autor do estudo, com Gabrielle Belz, do mesmo instituto, e Jean-Charles Guéry e a sua equipa do Centro de Fisiopatologia de Toulouse-Purpan, e França.

As conclusões da investigação, publicada esta semana, no Journal of Experimental Medicine, encontraram uma "culpada": a testosterona, que anula a produção de um tipo de célula imunológica que provoca a asma alérgica.

"A nossa investigação mostra que os altos níveis de testosterona nos homens protegem contra o desenvolvimento da asma alérgica. A testosterona é um potente inibidor das células linfóides inatas, uma nova célula imume que está associada ao início da asma", explica Gabrielle Belz.

A equipa de investigadores descobriu que a testosterona atua diretamente sob as células linfóides (ILC2), inibindo a sua proliferação. Estas células estão presentes nos pulmões, na pele e noutros órgãos.

As ILC2 produzem proteínas inflamatórias que podem causar inflamações pulmonares, em resposta a estímulos comuns que originam asma alérgica, como o pólen, ácaros de pó, o fumo do tabaco ou pelos de animais domésticos.

Os médicos realçam que entender as razões do porquê de o género feminino aumentar as hipóteses de desenvolver asma pode ajudar a descobrir novos tratamentos para a doença. "Os tratamentos atuais para tipos graves de asma, como esteroides, têm uma base muito ampla e podem ter efeitos secundários significativos", aponta Belz, salientando que a atual descoberta representa uma potencial nova forma de tratar a doença, dirigida diretamente às células que estão a contribuir para o seu desenvolvimento.