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Bullying: As consequências a longo prazo para as vítimas e agressores

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Kris Connor/ Getty Images

Um estudo revela que tanto os agressores como as vítimas de bullying são mais propensos a desenvolver problemas de saúde na vida adulta

De acordo com um estudo, publicado na revista Psychological Science, as srianças que sofrem de bullying durante a infância, assim como os próprios agressores, têm mais hipóteses de desenvolver problemas psicológicos, financeiros e de saúde na idade adulta.

A investigação acompanhou mais 300 homens desde a escola primária até aos 30 anos e os resultados demonstraram que, mais de 20 anos depois, os homens que praticaram bullying tinham maior probabilidade de fumar tabaco, consumir drogas, passar por situações de stress e desenvolver comportamentos agressivos.

Por outro lado, as vítimas de bullying revelaram ter mais dificuldades financeiras, mais sentimentos de terem sido injustiçados pelos outros e perspetivas mais negativas sobre o futuro.

O estudo de longo prazo começou em 1987 e 1988, quando a equipa de investigadores observou cerca de 500 rapazes de escolas de Pittsburgh. Quando tinham entre 10 a 12 anos, foram recolhidos dados sobre o seu comportamento em termos de bullying, a partir de testemunhos das crianças, dos pais e dos professores.

Desse grupo inicial, foram recrutados, mais tarde, apenas 300, para preencherem questionários sobre os seus níveis de stress, historial médico esituação socioeconómica. Cerca de 260 foram ainda submetidos a exames médicos (a disparidade entre os números, explicam os investigadores, justifica-se porque, chegados a esta etapa, vários participantes tinham morrido ou encontravam-se presos).

Os investigadores concluiram que situações de stress, raiva e hostilidade podem levar a desenvolver doenças cardiovasculares e pressão arterial elevada, um risco que correm tanto os agressores como as vítimas de bullying.

"Ambos os grupos tiveram muito stress nas suas vidas adultas, o que significa que o impacto do bullying dura por muito tempo", acredita Karen A. Matthews, investigadora da Universidade de Pittsburg e principal autora do estudo.

Os investigadores sugerem que uma intervenção precoce pode representantar importantes benefícios físicos e psicológicos a longo prazo.