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Quando o exercício se transforma num vício muito pouco saudável

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Spencer Platt / GettyImages

Se, para muitos, o problema é a falta de força de vontade para ir ao ginásio, no outro extremo estão os viciados em exercício. E sofrem com isso

"Nós tendemos – e com razão - a encarar o exercício físico como uma coisa realmente positiva. Mas como qualquer comportamento, podemos levá-lo ao extremo", explica Heather Hausenblas, principal autora de um estudo recente, publicado no British Medical Journal.

Os sintomas do vício em exercício manifestam-se apenas em acerca de 0.3% a 0.5% da população mundial - é uma percentagem pequena, mas representa centenas de milhares de pessoas. Abby Heugel, de 35 anos, fez parte destes números e, ouvida pela CNN, que conta o seu caso, define o seu vício no exercício como parte do seu problema de ansiedade e transtorno obsessivo-compulsivo.

Mesmo que quisesse parar, não conseguia. Heugel tinha que transpirar, sentir o coração a bater e os músculos a esticar e nada disso tinha a ver com razões estéticas: ela apenas tinha que treinar: "Sentia que ia saltar para fora da minha pele se não me mexesse a cada duas horas. Mentalmente era uma tortura".

Os riscos para a saúde podem variar entre lesões, desidratação, anemia e até mesmo a morte, sobretudo se houver um distúrbio alimentar simultâneo. Em 2015, Heugel precisou de duas transfusões de sangue porque estava anémica devido ao excesso de exercício. Foi aí que soube que tinha de procurar ajuda.

Quando o exercício é levado ao extremo, pode manifestar-se como um vício secundário - neste caso, o problema inicial podem ser distúrbios alimentares, por exemplo e o individuo treina demais numa tentativa de controlar ou manter peso; ou como vicio primário, sem patologias subjacentes. Embora o risco seja igual para homens e mulheres, de acordo com o estudo, a adição primária é mais comum em homens e a adição secundária em mulheres.

O vício em exercício físico não está incluído no Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais da Sociedade Americana de Psiquiatria, que, no que diz respeito a adições, contempla apenas a do jogo. Também não existem muitas pesquisas sobre o tratamento deste problema, mas o estudo britânico recomenda a terapia cognitivo-comportamental, à semelhança do que é aplicado noutros vícios comportamentais.