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Dor crónica: Estudo sugere que dormir faz mais efeito do que tomar analgésicos

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Rob Gage / GettyImages

Um estado de alerta diminuído, consequência de horas de sono insuficientes, aumenta a sensibilidade à dor, pelo menos em ratos. A solução? Ou dormir mais durante a noite ou apostar na cafeína durante o dia

Dormir bem e beber café talvez sejam, para muitas pessoas, os dois prazeres mais banais do dia-a-dia. E que nos fazem bem, já sabíamos, mas podem ter vantagens muito além de nos fazer sentir despertos.

De acordo com uma nova investigação, realizada pelo Hospital Pediátrico de Boston e pela Escola de Medicina de Harvard, dormir mais e consumir cafeína pode alivar dores crónicas e, muitas vezes, com mais sucesso que analgésicos como ibuprofeno e morfina.

O estudo, publicado na revista Nature, utilizou ratos para medir a reação entre perdas de sono agudas ou crónicas e a sensibilidade a estímulos dolorosos. Os animais foram privados de dormir, em detrimento de atividades de entretenimento (como brinquedos), para simular a perda de duas horas de sono para ficar a ver televisão até tarde, por exemplo.

"Descobrimos que cinco dias de privação de sono, em quantidades controladas, pode agravar significativamente a sensibilidade à dor em ratos saudáveis", explicou Chloe Alexandre, especialista em Fisiologia do Sono.

Ao contrário do que seria de esperar, analgésicos comuns como ibuprofeno não bloqueiam a sensibilidade à dor causada pela falta de horas de descanso. Os resultados indicam que os pacientes que tomam estes medicamentos, teriam de aumentar as doses para compensar a falta de resistência à dor causada pela diminuição das horas de sono, o que aumenta o risco de efeitos colaterais.

Por outro lado, estimulantes como a cafeína e o modafinil, aprovado para tratar distúrbios do sono, mas popularizado como estimulante cognitivo, conseguiram bloquear a hipersensibilidade à dor causada pela perda de sono. Estas substâncias podem ajudar a interromper o ciclo de dor crónica: a dor perturba o sono, que promove a dor e que, posteriormente, vai voltar a perturbar o sono.

Os investigadores concluíram que, em vez de tomar analgésicos, os pacientes devem melhorar os hábitos de sono ou tomar medicamentos para as insónias. Juntamente com agentes, como a cafeína, que combatem a sonolência durante o dia.