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10 dicas para ser feliz, segundo a ciência

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Portugal é o 64º país mais infeliz do mundo. Ou, para os otimistas, o 94º mais feliz. Mas, tal como dizem, a felicidade parte de cada um e por isso damos-lhe 10 dicas cientificamente comprovadas que o farão mais feliz

Márcia G. Rodrigues

De acordo com o 4º Relatório Mundial da Felicidade um estudo realizado pela Rede para um Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, que determinou o índice de felicidade de 157 países, Portugal é o 64º país mais infeliz do mundo. Ou, para os otimistas, o 94º mais feliz. Mas, tal como dizem, a felicidade parte de cada um e por isso damos-lhe 10 dicas cientificamente comprovadas que o farão mais feliz

1 - Rodeie-se de pessoas felizes

As pessoas à sua volta são capazes de influenciar a sua felicidade, passe algum tempo com pessoas felizes e bem-dispostas e vai verificar isso mesmo. Em 2009, Nicholas Christakis, da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, e James Fowler, da Universidade da Califórnia, tentaram perceber como é que a vida social e as pessoas em redor influenciam os níveis de felicidade de um indivíduo. Para tal, usaram os dados dos quase 5 mil participantes do Framingham Heart Study (um estudo cardiovascular iniciado em 1948), analisaram os seus índices de felicidade durante um período de 20 anos e concluíram que a felicidade de uma pessoa não influencia só os seus amigos, mas também os amigos dos amigos e os amigos dos amigos dos amigos.

Também outro estudo chegou a conclusões semelhantes.

O Estudo do Desenvolvimento Adulto, realizado em Harvard, analisou a vida de 724 voluntários durante 75 anos e, segundo Robert Waldinger, diretor do estudo, o que mantém uma pessoa feliz são as suas relações com outros indivíduos.

2 - Faça exercício físico

A cura para (quase) todos os males é mesmo fazer exercício físico. Além de ser benéfico para a saúde, a sua prática pode influenciar o quão um indivíduo se sente satisfeito com a sua vida e, consequentemente, aumentar a sua felicidade. Um estudo realizado na Universidade de Penn State, nos Estados Unidos da América, veio reforçar essa ideia. O estudo, publicado em 2012 na revista Health Psychology, reuniu um grupo de 253 jovens, entre os 18 e os 25 anos, e pediu-lhes que registassem, durante um período que variou entre os 8 e os 14 dias, como se sentiam em relação a diversos aspetos da sua vida (tanto profissional como pessoal) e também a quantidade de exercício físico que faziam por dia. No final do estudo, os investigadores concluíram que os indivíduos que se exercitam mais são mais felizes, sentem-se mais satisfeitos do que os restantes e que essa felicidade é notável no próprio dia.

Além disso, fazer exercício físico liberta endorfinas, as hormonas responsáveis pela sensação de bem-estar e pelo bom humor.

3 - Durma mais

É verdade que dinheiro não compra felicidade, mas dormir talvez o faça.

Pelo menos é o que diz um estudo da Universidade de Michigan. "Receber um aumento anual de $60 000 (cerca de €50 000) tem menos impacto na felicidade de um indivíduo do que dormir uma hora a mais todos os dias", refere Norbert Schwarz, professor de Psicologia e autor do estudo.

Uma noite bem dormida não afeta só a sua felicidade, como também o bem-estar da sua relação amorosa. Outro estudo realizado na Universidade da Florida, nos Estados Unidos, concluiu que a chave para a felicidade de um casal está diretamente ligada com a qualidade do sono de ambos. Para o estudo, os investigadores questionaram individualmente 68 casais recém-casados sobre os seus hábitos e rotinas de sono. Depois de cruzarem os dados de cada indivíduo com os dados dos seus parceiros, conseguiram concluir que aqueles que dormem pelo menos 7.30 horas são mais felizes e estão mais satisfeitos com a sua relação do que aqueles que dormem menos horas.

4 - Planeie uma viagem

Quer tirar férias e fazer uma viagem? Planeie tudo ao pormenor, mas não a faça.

De acordo com um estudo publicado, em 2010, no jornal online Applied Research in Quality of Life, a expetativa e o entusiasmo deixam-no mais feliz do que a própria viagem. A pesquisa contou com a colaboração de mais de 1500 adultos, incluindo 974 de férias, durante um período de 32 semanas, e concluiu que os participantes se sentiam mais felizes enquanto planeavam as férias ou uma viagem. Os efeitos do planeamento duraram até oito semanas. Terminado o período de férias, o índice de felicidade rapidamente desceu para uma média comum a todas as pessoas. "As férias deixam as pessoas mais felizes, mas descobrimos que aqueles que as antecipam (ao planeá-las) demonstram sinais de maior felicidade", disse Jeroen Nawijn, autor do estudo e professor da Universidade de Ciências Aplicadas de Breda, na Holanda.

5 - Seja autónomo

A liberdade e a autonomia pessoal são mais importantes para o bem-estar de uma pessoa do que o dinheiro, de acordo com um estudo de 2011. Os psicólogos Ronald Fischer e Diana Boer analisaram os dados de três estudos de Psicologia diferentes o General Health Questionnaire, que mede quatro sintomas de distress (sintomas somáticos, ansiedade e insónias, disfunção social e depressão severa); Spielberger State-Trait Anxiety Inventory, que analisa como um indivíduo se sente num determinado momento, e o Maslach Burnout Inventory, que analisa a exaustão emocional, despersonalização e a falta de realizações pessoais. No total, os investigadores analisaram os dados de 420 599 pessoas de 63 países. Após a longa análise, foi possível concluir que o individualismo e a autonomia se sobrepõem à riqueza no que toca à satisfação pessoal.

Um estudo da Universidade do Michigan reforça esta teoria.

Num questionário dirigido a todos os habitantes dos Estados Unidos da América, foi possível concluir que 15% das pessoas que afirmam ter "controlo das suas vidas" são também as mais felizes.

6 - Não se compare com outras pessoas

Graças às redes sociais, é cada vez mais fácil comparar--se com outras pessoas. Mas não o faça, haverá sempre alguém com um emprego melhor, com uma casa maior ou com um carro mais moderno. Além disso, está cientificamente provado que as pessoas que têm por hábito comparar-se com outras são mais infelizes do que as que não o fazem. Investigadores da Escola de Economia de Paris analisaram os dados de 19 mil participantes de 24 países europeus e descobriram que as pessoas que comparam os seus rendimentos têm tendência a serem mais infelizes e a mostrarem sinais de depressão. Quanto mais essas pessoas se importavam com esses valores, mais insatisfeitos estavam com a sua vida. O estudo revelou também que comparar o seu salário com um amigo tem mais efeitos negativos do que se o comparar com um colega. "Eu avisaria as pessoas a não se compararem e a serem felizes com o que são e com a situação em que estão lembrem-se que esses a quem se estão a comparar podem não estar mais satisfeitos", aconselha o professor Cary Cooper, especialista em psicologia organizacional.

7 - Tenha uma atitude positiva

Saiba ver o copo meio cheio, em vez de meio vazio.

Pensamentos positivos atraem felicidade, é o que diz um estudo conduzido pela Michigan State University. Durante duas semanas, os autores do estudo, publicado no Academy of Management Journal, analisaram os comportamentos de um grupo de motoristas de autocarros, tendo em atenção os que sorriam forçadamente para os passageiros e os que sorriam por estarem a pensar em coisas positivas. O estudo concluiu que os indivíduos com sorrisos forçados estão mais suscetíveis e ficarem exaustos emocionalmente e a desistirem dos seus empregos do que os que mantêm uma atitude positiva. Além disso, as pessoas positivas conseguem melhorar o seu humor através do sorriso e sentem-se mais satisfeitas com o seu trabalho.

8 - Tenha uma alimentação saudável

Ter uma alimentação saudável não é só benéfico para o corpo mas também para a mente! Um estudo da Universidade de Warwick, no Reino Unido, e da Universidade de Queensland, na Austrália, analisou 12 mil pessoas durante seis anos e descobriu que a chave para a felicidade é mesmo comer pelo menos oito porções de fruta ou vegetais todos os dias, durante pelo menos dois anos, que é quando os efeitos se começam a manifestar. No decorrer do estudo, os participantes tinham que registar a sua alimentação e as suas variações de humor em diários diferentes.

No final dos dois primeiros anos de pesquisa, os indivíduos que alteraram a sua dieta consideravam-se mais felizes do que os que não o fizeram. Essa mudança de humor está relacionada com os antioxidantes, substâncias associadas ao otimismo e ao bem-estar, presentes na fruta e nos vegetais.

9 - Mantenha-se ocupado

O professor Christopher Hsee, da Universidade de Chicago, conseguiu provar que as pessoas ocupadas são mais felizes do que as pessoas que não ocupam o seu tempo. Para provar essa teoria, o professor e a sua equipa realizaram um pequeno estudo: entregaram dois questionários a 98 alunos do ensino superior e avisaram-nos que entre cada questionário havia um intervalo de 15 minutos. No fim do primeiro questionário, os estudantes podiam entregá-lo em dois lugares diferentes perto da sala onde se encontravam ou noutra sala a 12 minutos de distância (ida e volta), e ganhavam um chocolate como recompensa. Se o mesmo chocolate fosse oferecido nos diferentes locais, 68% dos participantes do estudo preferiam entregar o questionário no local mais perto; no entanto, se outro tipo de chocolate fosse oferecido no local mais distante, 58% preferia caminhar mais um pouco. De seguida, os que percorreram os 12 minutos revelaram sentir-se mais felizes do que os que entregaram o questionário perto da sala onde se encontravam e ficaram sentados à espera que o segundo começasse.

10 - Seja solidário

Num estudo, publicado em 2010 no Journal of Social Psychology, investigadores da Grã-Bretanha pediram aos participantes que respondessem a um inquérito com o objetivo de perceberem o quão estavam satisfeitos com as suas vidas e posteriormente dividiram os 86 participantes em três grupos distintos.

Um dos grupos foi instruído a realizar um ato de solidariedade diariamente durante 10 dias, outro grupo tinha que fazer algo novo durante esse período e o último grupo não recebeu qualquer tipo de instrução. Passado o tempo de experiência, os participantes tiveram que realizar novamente o mesmo inquérito.

Tanto o grupo que foi instruído a ser solidário como o grupo que teve que realizar novas atividades experienciaram um aumento significativo de felicidade, enquanto os participantes do terceiro grupo não se sentiram mais felizes. O estudo prova que ser solidário, mesmo que seja durante um curto período de tempo, faz com que as pessoas se sintam melhores e, uma vez que a novidade também parece estar associada à felicidade, haja benefícios em variar os atos de solidariedade.