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Antes calças, agora papel

Repórter Júnior

Sabias que jeans e roupa velha se podiam transformar em papel? O nosso repórter Pedro Oliveira mostra-te como tudo acontece na fábrica Moinho, em Campia, Vouzela

 

Em Campia, Vouzela, há uma pequena fábrica que domina um saber muito antigo: o do fabrico de papel com fibras de algodão.

A fábrica chama-se Moinho (porque antigamente o papel era feito em moinhos de água) e recebeu a visita de Pedro Oliveira, 9 anos, que anda no 4.ª ano e vive em Pinheiro de Lafões. Como a mãe trabalha na empresa, e ele sempre teve curiosidade em conhecer o processo.

Pedro viu como é que O Moinho usa calças de ganga, camisas, t-shirts, fardas da tropa ou qualquer outra roupa velha de algodão para fazer papel. Papel branco, azul, cor de rosa ou castanho conforme a cor da roupa que vai ser reciclada. E pode ter cheiros (chocolate, café, pizza), ou ter sementes de flores que florescem se o papel for plantado depois de usado. Tudo isto sem abater uma árvore ou poluir o ambiente.

Os segredos do papel-algodão O nosso repórter entrevistou Rui Silva, 50 anos, responsável pelo Moinho

Pedro Oliveira (PO)

Quando nasceu o papel-algodão?

Rui Silva (RS) - Há dois mil anos, na China.

PO - No dia a dia usamos papel-algodão?

RS - Sim, por exemplo nas notas. O papel-algodão é muito mais resistente do que o papel normal. Por isso as notas não se desfazem quando vão a lavar no bolso das calças.

PO - Também se usa para pintar?

RS - Os pintores usam papel-algodão porque a cor das tintas fica melhor e dura mais tempo. Não conseguíamos ver quadros antigos se fossem pintados em papel normal.

PO - Porquê?

RS - Porque o papel normal fica amarelo ao fim de 10 anos. Com o algodão conseguimos ver as cores mesmo ao fim de muito anos.

PO - E porque se deixou de usar o papel-algodão?

RS - Porque começaram a aparecer os jornais, as revistas. E o papel-algodão não chegava para as encomendas. Então apareceu o papel da celulose da madeira, que se usa até hoje. Mas o abate das árvores passou a ser maior. Precisamos ser mais amigos do ambiente.

Pimperlim-pimpim...

E outra transformação acontece! O papel feito a partir das calças de ganga e de outras peças de roupa é usado para fazer sacos, livros de receitas, cadernos para escrever, desenhar, diários e álbuns de fotografias. Podes encontrá-los em algumas lojas nas grandes cidades.

 

 

Como fazer papel de algodão

1 - Rasgam-se as calças de ganga.

2 - Desfazem-se os bocados de calças na guilhotina.

3 - Pode usar-se desperdícios de fábricas de roupa, que já estão desfeitos.

4 - Na Pilha Holandesa uma mó que transforma a roupa em pasta de papel juntam-se as fibras de algodão branco com água.

5 - Na misturadora podem juntar-se sementes ou outras decorações que ficam no papel. Se quisermos papel mais fininho é só juntar mais água.

6 - Os cilindros da máquina de papel compactam a pasta e fazem folhas.

7 - As folhas secam numa estufa. Se usarem calças de ganga o papel fica azul.

8 - O papel está pronto a ser usado. As cores que apresentam são dos tecidos originais.