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Marcos Borga

Os alunos de cinco agrupamentos escolares de Lisboa foram convidados pela autarquia a apresentarem sugestões para melhorarem o sítio onde vivem. Agora, algumas dessas ideias vão tornar-se realidade

O Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa (CML) costuma receber convidados ilustres que visitam a cidade. Neste local, já se realizaram muitos acontecimentos importantes. Há 102 anos, por exemplo, a varanda do Salão Nobre entrou para a história como o sítio onde foi proclamada a Primeira República Portuguesa.

Desta vez, a ocasião não é tão solene, mas os convidados são muito especiais na mesma. Depois de terem apresentado vários projetos à autarquia, os alunos do 9º ano de cinco agrupamentos escolares de Lisboa vão ficar a saber quais foram as ideias selecionadas para se tornarem realidade.

A participação dos alunos na gestão da cidade de Lisboa só foi possível devido ao Orçamento Participativo (OP) Escolar, uma iniciativa da autarquia que, este ano, pediu aos alunos de 16 turmas do 9º ano das escolas Secundária Marquês de Pombal, Joséfa de Óbidos, D. Filipa de Lencastre, Lumiar e Eça de Queirós para apresentarem propostas que melhorassem a cidade onde vivem. Os projetos de cada escola não podiam custar mais de 10 mil euros.

Depois de as suas sugestões serem aprovadas pela CML, os alunos estiveram uma semana em ambiente de campanha eleitoral para convencerem os colegas a votarem nas suas ideias. A votação decorreu através do site http://www.lisboaparticipa.pt/. As ideias mais votadas são aquelas que vão passar do papel para o terreno, com o patrocínio da câmara.

OS VENCEDORES

O projeto vencedor da Escola Secundária Marquês de Pombal foi a recuperação e pintura de um mural na Escola Básica do Casalinho da Ajuda n.º 7. "Alguns de nós fizemos a escola primária nessa escola e sentíamos que ela tinha perdido o encanto por ter as paredes da entrada cheias de graffiti", explica Bianca Alves, 18 anos.

Vicente Figueira, 15 anos, aluno da Escola Secundária Joséfa de Óbidos, confessa que, ao princípio, achou que ia ser uma "seca" participar no OP Escolar, mas mudou de ideias rapidamente: "Assim que disseram que íamos ser nós a decidir onde gastar dinheiro, fiquei logo interessado". A recuperação das casas de banho dos rapazes da escola primária do agrupamento foi a sugestão vencedora pela sua escola. Além de ter aprendido a gerir melhor o dinheiro, Vicente sente que também melhorou a sua capacidade de trabalhar em equipa.

Mariana Ribeiro, 14 anos, está de acordo. "Este projeto ajudou-nos a sabermos discutir as ideias uns dos outros e a chegarmos a acordo", explica a aluna da Eça de Queirós, enquanto celebra com os colegas a construção de um circuito de manutenção desportiva no parque do Vale do Silêncio. "Acho que as pessoas vão ter mais um incentivo para visitarem o jardim graças a nós", diz, sorridente.

FUTUROS PRESIDENTES?

Quanto a tornarem-se presidentes de câmara, as opiniões dividem-se. "Eu fiquei com alguma vontade de seguir a carreira política porque deve ser bom mandar e ditar leis", revela Diogo Covas, 16 anos, aluno da Secundária do Lumiar, que vai ter um novo parque infantil com a ajuda do OP Escolar.

Pedro Evangelho, 14 anos, da escola D. Filipa de Lencastre, nem quer pensar como seria se fosse presidente da câmara de Lisboa: "É uma profissão que dá muito trabalho e faz cabelos brancos!".

Junto à sua escola e no jardim da igreja vão ser instalados novos bancos de jardim. Pedro ficou a perceber melhor a importância de preservar os espaços públicos. "Aprendi a ser melhor cidadão", afirma.

Todos concordam que não é fácil decidir onde investir o dinheiro porque as opções são muitas, e é difícil estabelecer o que é mais urgente, mas não têm dúvidas de que os projetos vencedores vão fazer a diferença na vida de muitas pessoas. Incluindo na deles.

O OP Escolar passo a passo

O Orçamento Participativo Escolar realizou-se pela primeira vez no ano passado. Para tentarem perceber se a iniciativa resultava, só convidaram uma escola a participar, a EB 2, 3 de Marvila. O projeto vencedor foi um campo de paintball (um jogo em que se usam armas com tinta para eliminar o adversário), que deverá estar concluído no final deste ano. Este ano, participaram cinco agrupamentos escolares. Descobre todos os passos desta iniciativa:

1. A explicação

Os técnicos da Câmara Municipal de Lisboa (CML) foram às escolas explicar o que é o Orçamento Participativo Escolar (OP Escolar).

2. As propostas

Os alunos apresentaram sugestões para melhorarem o bairro ou a freguesia de Lisboa onde vivem.

3. A seleção

A CML escolheu os projetos que respeitavam as normas do OP Escolar (com custo abaixodos 10 mil euros e possíveis de realizar em dois anos).

4. A votação

Os alunos das escolas que participaram votaram na sua proposta preferida no site Lisboa Participa.

5. O resultado

As propostas mais votadas vão tornar-se realidade!