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A Amazónia está em perigo

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Marc DEVILLE

É a maior região natural do mundo e ali é produzido 20% do oxigénio que todos nós respiramos. Com a floresta a arder há várias semanas, este é um problema de todos os que vivem neste planeta

O mundo está de olhos postos na Amazónia, a arder há cerca de três semanas. São os incêndios mais fortes de que há registo no Brasil nos últimos sete anos e estão a pôr em risco a maior reserva de biodiversidade do planeta e a vida de várias comunidades indígenas que habitam no território.

A situação está descontrolada. Só desde o início do ano foram registados mais de 40 mil focos de incêndio na região, e vários especialistas afirmam que a maioria deles é provocada pelo Homem – de forma intencional ou não. Neste momento, não se sabe como travar o fogo, que atinge áreas do Brasil e da Bolívia, e cujo fumo já chegou ao Peru. Aliás, os incêndios são tão extensos que já se veem do Espaço. O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, admitiu até que o país não tem meios para combater um fogo tão vasto como este.

Outros perigos para além do fogo

Mas os incêndios não são o único perigo. A Amazónia tem sofrido uma desflorestação intensa. As árvores são derrubadas a uma velocidade alucinante: só em julho, por exemplo, foram destruídos 2255 km2 – a mesma área do Luxemburgo – por exploradores mineiros e agricultores. Ou seja, o mesmo que três campos de futebol por minuto!
Há investigadores que afirmam que, a este ritmo, a Amazónia nunca conseguirá recuperar.

O abate de árvores é feito a um ritmo alucinante: a área de três campos de futebol por minuto

O abate de árvores é feito a um ritmo alucinante: a área de três campos de futebol por minuto

AFP Contributor

A Amazónia é do tamanho dos Estados Unidos da América e as suas florestas estão repartidas por 8 países, entre eles o Peru, a Venezuela e o Equador. Contudo, é o Brasil que detém a maioria do território: 60% da floresta está dentro das fronteiras deste país.

Por ser tão grande e importante, chamam-lhe «o pulmão da Terra», já que, sozinha, produz 20% do oxigénio que os habitantes do Planeta consomem. É, por isso, necessário que as florestas tropicais amazónicas sejam protegidas, caso contrário, é a própria Terra que corre risco

A Amazónia em números

– A atual floresta tropical já perdeu mais de 17% da sua área original

– A Amazónia concentra mais de 15% da água doce do planeta

– Produz mais de 20% do oxigénio que respiramos

– Absorve mais gazes com efeito de estufa do que qualquer outra região do mundo

– Ali produzem-se 20 mil milhões de litros de água por dia. Com a desflorestação haverá secas com efeitos que não conhecemos

– 33 milhões de pessoas (três vezes o número de habitantes de Portugal) vivem naquele território e dependem dos seus recursos naturais. Entre eles, 350 tribos indígenas

MAURO PIMENTEL

– É a região do Planeta com maior diversidade de espécies animais e vegetais: 40 mil plantas, 16 mil árvores, 5600 peixes, 1300 aves, 1000 anfíbios, 430 mamíferos, 400 répteis e 2,5 milhões de insetos

– 70% da desflorestação tem por objetivo a exploração pecuária, ou seja, a criação de gado

– Na Amazónia brasileira existem cerca de 80 milhões de cabeças de gado. Em 1990, eram cerca de 26 milhões

– Cerca de metade da região amazónica é delimitada e protegida pela lei contra tentativas de exploração ilegal, contudo, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, admite reduzir esta área

Ativistas juntaram-se hoje, dia 23, emfrente à Embaixada do Brasil, em Londres, pedindo a Jair Bolsonaro que trave os fogos e a desflorestação na Amazónia

Ativistas juntaram-se hoje, dia 23, emfrente à Embaixada do Brasil, em Londres, pedindo a Jair Bolsonaro que trave os fogos e a desflorestação na Amazónia

ISABEL INFANTES

Vários movimentos e organizações ambientalistas têm protestado contra as políticas ambientais do presidente Bolsonaro, pedindo-lhe que trave a destruição da Amazónia.


Greta Thunberg, a jovem ambientalista sueca, está a caminho dos EUA, onde participará na cimeira do clima da ONU, no próximo dia 23 de setembro. A bordo de um veleiro, meio de transporte que escolheu para evitar emissões de dióxido de carbono para a atmosfera, Greta lamentou o que se está a passar. «Mesmo aqui no meio do Oceano Atlântico, ouço sobre a quantidade recorde de incêndios devastadores na Amazónia. Os meus pensamentos estão com os afetados. A nossa guerra contra a natureza deve acabar», escreveu, nas redes sociais.