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Os caça-tempestades portugueses

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Têm em comum a paixão por tempestades. E passaram três semanas à procura delas nos Estados Unidos. O resultado está em filme

Sara Sá

Sara Sá

Jornalista

Há quem goste de correr, quem tenha como 'vício' a pesca ou ao colecionismo. Bruno Gonçalves, 38 anos, engenheiro ambiental, dedica-se à caça de tempestades. "São muito fotogénicas," atira, em jeito de justificação quando lhe estranhamos a mania .

A paixão pela meteorologia levou-o a criar o site Extrema Atmosfera e ainda a Troposfera - Associação Portuguesa de Meteorologia Amadora. Porque há outros malucos como ele. Que juntaram 15 mil euros, quase tudo de próprio bolso, para passar três semanas nos Estados Unidos à procura de uma tempestade com tudo a que esta tem direito: raios, trovões e tornados.

Em maio do ano passado, Bruno, mais os quatro amigos Artur Neves,38 anos informático, Henrique Santos, 25 anos, editor de vídeo, Miguel Pereira, 32 anos, técnico de reciclagem e Saúl Monteiro, 39 anos, que trabalha em logística, fizeram as malas, prepararam os computadores, equipados programas de meteorologia, carregaram as câmaras de vídeo e rumaram ao "Corredor dos Tornados", uma região no centro geográfico dos EUA, que apanha os estados de Oklahoma, Arkanas, Iowa, Missouri.

Foram três semanas intensas, a fazer, em alguns dias, mais de mil quilómetros de estrada, à procura do olho do temporal. Por vezes, as previsões de tornado apontavam para uma área com três a quatro vezes o tamanho de Portugal, que os cinco procuravam como quem caça um tesouro. A aventura deu um documentário, que o grupo está a publicar no site da Troposfera. O primeiro episódio já está disponível. O segundo estará no próximo sábado. Estão previstos seis, com uma duração média de 18 minutos.

"Não vimos um tornado, mas apanhámos uma trovoada com cinco a seis relâmpagos por segundo," conta, entusiasmado. Há quem fuja delas, como o diabo da cruz, e quem faça milhares de quilómetros para as encontrar.