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A "normalidade" da extraordinária vitória de Ye Shiwen

Desporto

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Associated Press

Quando a nadadora chinesa de 16 anos estabeleceu um novo recorde mundial, todos os sobrolhos de franziram, apesar de a atleta ter passado todos os controlos anti-dopping. Um olhar sobre os números mostra, no entanto, que não há nada assim tão extraordinário no feito de Ye Shiwen

A vitória da jovem nadadora chinesa nos 400 metros estilos, na semana passada, fez correr rios de tinta. Sobretudo os estrondosos últimos 50 metros que nadou em menos tempo que Ryan Lochte, na prova masculina. E estamos a falar de um dos nadadores mais rápidos de sempre.

O diretor executivo da Associação de Treinadores da modalidade, John Leonard, classificou a prestação de Ye Shiwen como "perturbante", levando a nadadora a garantir que não usou qualquer substância ilícita e a recordar que passou em todos os controlos anti-dopping. 

A BBC olha agora para os vários aspetos da vitória de Ye Shiwen e concluiu que há pouca coisa verdairamente "única" neste caso. Comece-se pelo facto de ter tirado cinco segundos ao seu próprio recorde pessoal. A atleta é muito jovem e ainda está em crescimento. Na verdade, tem mais 12 centímetros do que há dois anos, pelo que é normal que os seus tempos melhorem. A lenda australiana da natação, Ian Thorpe, veio a público lembrar que ele também melhorou o seu recorde em cinco segundos quando era adolescente. Por outro lado, a australiana Stephanie Rice, que competiu com a atleta chinesa nos 400 metros estilos, também bateu o seu melhor tempo em 2008, por seis segundos. 

Ye também estabeleceu um novo recorde mundial, por mais de um segundo. É impressionante, mas não é caso único: Também Stephanie Rice, voltando a 2008, bateu o recorde mundial por uma margem ainda mais significativa. 

Quando à comparação com Lochte, peca por não olhar para o conjunto da prova. No total dos 400 metros estilos, o nadador foi 23 segundos mais rápido. A jovem só nadou mais depressa na última etapa, os 100 metros livres. E esta não foi a primeira vez que o atleta australiano nadou mais devagar que uma mulher. Nos Jogos Olímpicos de Pequim foi mais lento que a italiana Alessia Fillipi, por mais de meio segundo, também na última parte da prova. Lochte arrecadou uma medalha de bronze, Fillipi ficou em quinto. Trata-se uma questão de ritmo, sublinha a BBC, citando especialistas.