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Versão terrestre do kitesurf, o kite landboard usa o vento como propulsão para um sem-fim de manobras radicais em que o céu é mesmo o limite

José Caria

Depois de praticar patinagem, karaté, capoeira, futebol e hipismo, Miguel Caeiro, 15 anos, não resistiu ao kite landboard, um desporto que conheceu no último Verão, na praia de Melides, no Alentejo. Como já tinha uma mountainboard uma espécie de skate todo-o-terreno usado para fazer down-hill e com o qual também se pratica o kite landboard, «a adaptação foi fácil», recorda Miguel à VISÃO Júnior, no areal da Praia do Castelo, na Costa de Caparica, o local onde pela primeira vez praticou este desporto.

A exemplo do cada vez mais popular kitesurf, o kite landboard usa também uma vela (parecida com um pequeno pára-quedas) ou asa, como forma de tracção (força que se aplica para fazer um veículo mexer-se). Como na versão marítima, a força do vento permite aumentar a velocidade da prancha, ao mesmo tempo que se realizam manobras radicais como piruetas ou voos por cima dos obstáculos.

Miguel pratica há apenas dois meses, mas quem o vê a acelerar areia fora, durante a maré-baixa, não acredita, tal a segurança dos seus movimentos. Luís Caeiro, o pai de Miguel, assiste de longe. Ultimamente, as viagens entre Évora, onde residem, e as praias da Caparica, onde se reúnem os praticantes de kite landboard, transformaram-se numa rotina. «Sempre foi assim, quando gosta de uma coisa atira-se de cabeça», afirma o pai. Miguel justifica com a «adrenalina» o seu entusiasmo pela modalidade, que nem «as muitas quedas» iniciais conseguiram arrefecer.

É frequentador assíduo do forum Papagaio Desportivo, o ponto de encontro, na Internet, dos fãs de kite landboard. «Como sou de Évora é complicado participar nos eventos, que são quase sempre em Lisboa e assim acompanho via Internet», explica, enquanto dobra cuidadosamente a asa, antes de a arrumar na mochila.

O tamanho da asa varia com o peso do praticante. «É preciso muito cuidado para não enlear os fios», avisa com ar experiente.