Não é costume dar-se muita importância àqueles pequenos moluscos rastejantes que temos no jardim ou vemos nos parques e quintais. Por vezes até os pisamos sem querer. Outras vezes, são servidos num prato, como petisco. Há quem não lhes ache piada alguma, mas já existe quem os queira conhecer melhor. Foi isso que aconteceu em 2009, ano dedicado a Darwin e à evolução, com um estudo que tinha como finalidade contar as espécies de caracóis terrestres e examinar o seu polimorfismo, isto é, perceber se as características da concha são ou não importantes para a sua sobrevivência.

Os resultados do estudo revelam que, em Portugal, predominam os Cepaea nemoralis. Sabe-se, também, que existem em maior número no litoral e que a sua presença quase não se nota no Algarve.

Entre os seus principais predadores figuram os tordos, aves que não são nada meigas na hora de comer os caracóis. Para lhes tirar a carapaça, os tordos têm de esmagá-la contra uma rocha ou uma superfície pedregosa. E alguma vez imaginaste que um pirilampo pode acabar com os caracóis? Pois é, aquele bichinho minúsculo injecta os ovos no corpo mole dos caracóis. Quando as larvas nascem, alimentam-se do corpo do caracol e este acaba por morrer.

Casinha protectora

Sabias que a carapaça do caracol funciona como camuflagem, ou seja, serve para o proteger dos predadores, quando tem uma cor que não se distinga da vegetação e que o faça passar despercebido? Por exemplo, um caracol branco numa zona muito escura seria logo descoberto e, por isso, atacado. O clima e o tipo de solo têm uma grande influência na forma como o caracol consegue (ou não) sobreviver.

Como podes participar neste estudo:

Apanhar caracóis

Regista-te em www.evolutionmegalab.org/pt, imprime  os documentos para levar para o terreno, onde estão as dicas de como apanhar os caracóis e de como os distinguir e registar.  

Saídas de campo

Em breve serão divulgadas as actividades da Ciência Viva para este Verão, a decorrer de 15 de Julho a 15 de Setembro. Vai a www.cienciaviva.pt saber mais informações 

Visitas ao luar

Visita guiada pelo céu e pela terra durante a noite em busca dos vários tipos de caracóis com bandas (Cepaea nemoralis), mas também com a possibilidade de observação de alguns astros e da Lua.

Porto, Quinta da Bonjóia,

30 Jul 21h

20 Ago 21h

3 Set 21h

Tomar

4 Set 21h

Curiosidades

 - Um caracol-bebé tem a carapaça mole e demora três anos até ficar adulto.

 

- O corpo mole dentro da concha também tem a forma de espiral e é lá dentro que se encontram o coração e o fígado do caracol.

- Os caracóis são herbívoros, alimentam-se de plantas e encontram-se em campos de cultura (nas zonas agrícolas) e, por vezes em jardins escondidos. Também podem aparecer nas bordas dos caminhos, nos muros, ou debaixo de pedras.

- Na parte inferior da cabeça existe a rádula, uma espécie de língua com a qual o caracol corta os alimentos.

- São os tentáculos situados na superfície superior da cabeça que permitem ao caracol sentir. Os olhos estão nas pontas dos tentáculos maiores e o olfacto nos tentáculos menores. Os caracóis não ouvem.

- São hermafroditas, isto é, possuem os dois sexos mas para procriar são precisos dois (um faz de macho e outro de fêmea).

- Acasalam em Maio e põem os ovos no Verão.

- A esperança de vida de um caracol é de 5 a 10 anos.

 


Texto:Andreia Fernandes Silva