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O verde vende

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Luís Barra

E também faz encolher os custos das empresas. Os gestores portugueses já perceberam, mas, por agora, estão mais preocupados com a crise

Preocupações ambientais à parte - e isto não significa que elas não existem -, a aposta das empresas na sustentabilidade é uma fonte de lucros. "Mais do que pensar em ser verde ou eficiente, numa lógica de sustentabilidade ou por uma questão de consciência, a aposta faz-se porque existe um racional económico", explica Cláudia Coelho, responsável pela área de sustentabilidade da consultora PricewaterhouseCoopers (PwC). "É interessante para as empresas terem preocupações a nível da eficiência energética ou da gestão dos recursos, porque poupam", sublinha.

Regra geral, as grandes empresas portuguesas já dão atenção ao tema da sustentabilidade, "mas é preciso que consigam olhar para este fator como uma oportunidade. Se os gestores se preocupam apenas em fazer relatórios e não a integram no negócio, não estarão a tirar partido dela, nem a aplicar o conceito da sustentabilidade", adverte Cláudia Coelho, que reconhece que o atual contexto económico nacional, e europeu, talvez não seja o mais propício.

Um inquérito recente da PwC, ainda não tornado público, deixou bem claro que a principal preocupação da esmagadora maioria das 60 empresas inquiridas (entre elas as maiores do País) não é a sustentabilidade mas, antes, a crise. Ainda assim, 91% daquele universo acredita que os produtos sustentáveis são uma oportunidade de negócio. Quando questionados sobre se a escassez de recursos também poderia sê-lo, apenas 13% responderam afirmativamente. O que deixa bem evidente o caminho que ainda é preciso percorrer, em Portugal, para se aproveitar plenamente o potencial da sustentabilidade.

Cortiça, o bom exemplo

A cortiça, e a comunicação internacional da Corticeira Amorim, em  particular, é apontada pela técnica da PwC como o paradigma de uma boa exploração do capital ecológico de um produto. "Portugal tem sabido comunicar devidamente as propriedades e características da cortiça, diferenciando o seu produto de outros, alternativos e concorrentes, destacando as características verdes", por oposição aos principais concorrentes, as rolhas de plástico ou de alumínio. Na área das energias renováveis, Portugal também está muito bem posicionado, devido à aposta política que foi feita nos últimos anos - e que agora foi travada a fundo.

Mas existem outros setores que começam a apostar, de forma mais sustentada, no verde. São os casos da "agricultura, do turismo e da construção", acrescenta Cláudia Coelho.

Ter atenção ao verde, em especial ao que os mercado exteriores entendem por "sustentável", também pode ser um importante trunfo para conseguir vender lá fora. "Para poderem estar em determinados mercados, as empresas necessitam de Declarações Ambientais do Produto, na qual se faz uma análise completa de cada artigo em todo o seu ciclo de vida, desde a exploração do recurso natural até ao destino final. Ao fornecerem esta informação, as empresas estão a permitir ao mercado comparar produtos, em termos de desempenho ambiental. No caso das exportações, é um fator que tem peso", garante a responsável pela área de sustentabilidade da PwC.

Preço (ainda) conta mais

Para se vender em Portugal, ser verde também pode revelar-se um "fator de peso", mas só se o preço não atrapalhar. "A opinião pública já compreende a importância da sustentabilidade e já está familiarizada com o tema. Mas os consumidores não estão dispostos a pagar muito mais por isso", refere Cláudia Coelho. Porém, "acabam por influenciar o mercado, simplesmente por compreenderem o conceito e valorizarem a mudança". Por outras palavras, quando o preço não é muito diferente, a vantagem costuma ir para o lado do que é mais sustentável.

Além do preço, existem outros fatores que fazem os consumidores portugueses ficar de pé atrás em relação a  alguns produtos verdes. "O mercado sustentável ainda não é muito organizado e não existe informação suficiente para comparar devidamente os produtos."

O sustentável ainda está verde.