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Este ano, já foram assassinados 145 defensores do Ambiente

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Wayne Lotter, fundador e líder de uma organização não-governamental a PAMS, especializada na defesa dos elefantes, foi assassinado a tiro a 16 de agosto, na Tanzânia

DANIEL HAYDUK

Conservacionistas, ambientalistas, ativistas dos direitos dos indígenas, agricultores tradicionais da América do Sul ou polícias que vigiam a caça ilegal em África – em média, morrem quatro por semana

É um projeto inédito e que tem revelado uma realidade ainda pior do que se poderia julgar. O jornal britânico The Guardian aliou-se à organização não-governamental Global Witness (focada nos direitos humanos) para contabilizar as pessoas assassinadas por defenderem o Ambiente e a Natureza, e este ano já chegou ao número de 145, o que dá uma média de quatro a cada semana.

O Brasil é o país mais perigoso para ativistas: no ano passado, morreram 49 protetores da natureza e da população local. Em segundo lugar está a Colômbia, com 37 vítimas, e em terceiro as Filipinas, com 28.

Aqui ficam as histórias das vítimas mais recentes.

Peru

A 1 de setembro, seis agricultores da Amazónia peruana foram mortos a tiro de caçadeiras e atirados ao rio, numa emboscada noturna, por um grupo de criminosos com interesses no óleo de palma – um negócio que tem levado a uma enorme pressão sobre os agricultores locais para cederem as suas propriedades.

Brasil

Edilson dos Santos, segurança do Parque da Serra da Capivara, considerado Património Mundial pela Unesco, foi assassinado por quatro caçadores furtivos, a 18 de agosto. Outros dois, apanhados na mesma emboscada, ficaram feridos, mas sobreviveram.

México

Gabriel Oliveira, 37 anos, polícia do Parque Nacional de Chacahua, apareceu morto, baleado por, suspeita-se, caçadores furtivos – no mesmo dia do seu colega de profissão brasileiro, a 18 de agosto.

Tanzânia

Wayne Lotter, 51 anos, fundador e líder de uma organização não-governamental conservacionista, a PAMS, especializada na defesa dos elefantes, foi assassinado a tiro a 16 de agosto, quando ia num táxi a caminho do aeroporto. Lotter recebia, há anos, ameaças de morte.

República Democrática do Congo

Na manhã de 14 de agosto, quatro rangers do Parque Nacional de Virunga (famoso por ser um dos santuários do raro gorila-da-montanha) estavam a patrulhar a área quando um grupo de rebeldes os atacou. Três morreram e um quarto está desaparecido. Nos últimos 20 anos, já foram assassinados mais de 160 rangers em Virunga, enquanto tentava proteger o parque.