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Vida começou na Terra 200 milhões de anos mais cedo

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© Henry Romero / Reuters

Fósseis encontrados na Gronelândia graças ao degelo do Ártico mostram que a vida começou numa época em que o planeta ainda era bombardeado por meteoritos

Os mais velhos fósseis do planeta – com uma idade de 3,7 mil milhões de anos – foram descobertos na Gronelândia, segundo um artigo científico publicado na revista Nature. Descobertos por cientistas australianos e do Reino Unido, os fósseis foram encontrados numa zona que havia estado permanentemente coberta por gelo mas que, nos últimos anos, ficou exposta por causa do aquecimento do Ártico.

Tratam-se de estromatólitos, formações que resultam da sobreposição de camadas de micro-organismos. A palavra estromatólito, de origem grega, significa precisamente camada (stroma) e rocha ou pedra (lithos).

Segundo os autores da descoberta, os fósseis formaram-se em charcos marítimos de pouca profundidade. A confirmar-se como uma prova de vida, os cientistas acreditam que se pode agora situar o início da existência de seres vivos na Terra há 4 mil milhões de anos, quando a superfície do planeta ainda era bombardeada por meteoritos. Será também a prova de que a vida começou 220 milhões de anos mais cedo do que se julgava antes, com base em fósseis descobertos na Austrália, que situavam os mais antigos sinais da sua existência há 3,5 mil milhões de anos.

Num comentário ao artigo, Abigail Allwood, do Jet Propulsion Laboratory da NASA, nota que a descoberta levanta uma questão pertinente para os cientistas que estudam o aparecimento de micro-organismos na Terra. “A vida começou apenas depois de uma longa evolução planetária, quando um ambiente adequado permitiu a sua emergência, ou, pelo contrário, o seu berço foi uma Terra ainda criança?”, pergunta. Para Abigail, se a vida encontrou uma âncora num ambiente tão adverso, quando na atmosfera ainda predominavam o dióxido de carbono e o metano e a superfície do planeta era atingida com regularidade por meteoritos, “então a vida não é caprichosa, relutante e uma coisa improvável”.