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Nem tudo o que vem à rede é peixe

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Afinal, que tamanho podem ter os jaquinzinhos? E por que razão se proíbe a captura e o consumo de bivalves em determinados períodos do ano? Será o verão a melhor altura para apostar numas amêijoas à Bulhão Pato?

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Carapau

(Trachurus trachurus)

Em 1998, o Conselho Europeu fixou o tamanho mínimo das espécies com o objetivo de proteger os juvenis – 15 cm para o carapau. Abaixo disso, devem ser devolvidos ao mar. Mas, enquanto os portugueses gostarem de jaquinzinhos, haverá sempre quem os venda e os inclua nas ementas dos restaurantes.

Amêijoa japonesa

(Ruditapes philippinarum)

Espécie invasora, terá entrado na ria Formosa pela mão de produtores espanhóis, e já é dominante no estuário do Tejo. Muitas vezes, a sua apanha não está proibida porque acumula menos toxinas resultantes do fitoplâncton e é menos vulnerável aos metais pesados do que os outros bivalves.

Conquilha

(Donax trunculus)

É o bivalve com maior valor comercial no verão algarvio. Na maré baixa, basta revolver a areia molhada para encontrá-la, mas os mariscadores profissionais usam uma ganchorra – um saco de rede cuja abertura está ligada a uma estrutura rígida, dotada de um painel com ou sem dentes, que revolve o fundo.

Pepino-do-mar

(Holothuria arguinensis)

É da família da estrela-do-mar e pode atingir os 30 cm de comprimento. Tem como destino mercados asiáticos, sobretudo China e Japão, onde se acredita que, seco e sem vísceras, tem poderes medicinais. Um quilo chega aos 200 euros.

Meixão

(Anguilla anguilla)

A captura destas enguias em idade juvenil só é permitida no rio Minho; no resto do País está interdita desde 2000. Apanham-se com umas telas com furinhos minúsculos. Um quilo de meixão vale entre 200 e 600 euros, e os grandes compradores são os espanhóis.

Percebe

(Pollicipes pollicipes)

Também há quem lhe chame perceve. Na apanha podem ser usados vários utensílios, como a faca de mariscar, o sacho de cabo curto e o berbigoeiro. Existem restrições específicas no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e na Reserva Natural das Berlengas.

Zonas delimitadas - Cada caso é um caso

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera disponibiliza no seu site informação atualizada sobre a interdição da apanha de bivalves por causa das toxinas marinhas. Existem zonas delimitadas e a interdição pode ser parcial ou total. A 5 de agosto, ficou por exemplo proibida a apanha da conquilha e do lingueirão no litoral Setúbal-Sines (L6, neste mapa).

Profissional versus lúdico

O apanhador profissional tem de se registar e pedir uma licença anual. O apanhador lúdico não precisa de licença, mas só pode apanhar até dois quilos de espécies animais marinhas e sem a ajuda de utensílios. No caso de quem faz da apanha profissão, os limites máximos dependem das espécies.

O olho da lei

Cabe à Polícia Marítima e ao controlo costeiro da GNR fiscalizarem a apanha de bivalves. No primeiro semestre deste ano, só a Guarda apreendeu 91 toneladas. Em 2015, tinham sido 31 toneladas e no ano anterior 14. Há casos de apanha em zonas interditas, de uso de utensílios proibidos e de comercialização fora da lota. Os bivalves devem ser depurados, para eliminar bactérias, um processo que pode demorar 36 horas. Existem centros de depuração, mas quem os apanha e vende ilegalmente não os leva lá. O contrabando de amêijoa para Espanha já está a ser encarado como criminalidade organizada.

Mito ou verdade? - O marisco nos meses sem erre

Não é por acaso que crescemos a ouvir que se deve evitar o consumo de bivalves entre maio e agosto. Com o calor, os níveis de toxinas presentes no fitoplâncton são mais elevados.