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Estamos a destruir o planeta de forma irreversível? Este e outros mitos sobre o ambiente

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Nem tudo o que parece verde é, e vice-versa. A sustentabilidade é um mundo de falácias, constantemente desmentidas pela ciência

Mito

Estamos a destruir o planeta de forma irreversível

Realidade

Estamos, quando muito, a destruir-nos a nós próprios. E, claro, ainda podemos levar umas quantas espécies de animais connosco. Mas o planeta já passou por cinco extinções em massa (atualmente, vivemos a sexta, a Extinção do Holoceno, causada pela mão humana) e a vida continuou. A mais famosa foi provocada por um meteorito que matou a maioria dos dinossauros (algumas espécies evoluíram para as aves que conhecemos hoje) há cerca de 65 milhões de anos. Houve, porém, outra, a extinção do Permiano-Triássico, ocorrida há 250 milhões de anos, que dizimou mais de 90% de todas as espécies do planeta. É verdade que a biodiversidade demorou largos milhões de anos a recuperar. Mas recuperou. Sempre recupera. Com as mesmas espécies ou com outras. Com ou sem o Homem.

Mito

A agricultura biológica é melhor para o planeta do que a convencional

Realidade

Uma recente meta-análise de 71 estudos sobre os impactos da agricultura biológica, realizada por investigadores da Universidade de Oxford, concluiu que, na maior parte dos casos, este tipo de produção tem efeitos mais nefastos no ambiente do que a convencional – sobretudo porque, sendo menos produtiva, necessita de mais espaço. Mas há outras vantagens, nomeadamente a não utilização de pesticidas, certo? Errado: ao contrário do que a maioria das pessoas julga, a agricultura biológica utiliza pesticidas. A única diferença é que estes não podem ser sintéticos. Essa não é, no entanto, garantia de inocuidade. O facto de um produto ser natural ou artificial não nos diz nada sobre a sua toxicidade. Além disso, uma vez que os pesticidas biológicos têm menos eficácia, são muitas vezes usados em maior quantidade para terem idêntico resultado, poluindo mais os solos.

Mito

Os organismos geneticamente modificados (OGM) são um desastre ambiental e têm consequências nefastas na saúde humana

Realidade

Há um amplo consenso científico sobre a ausência de efeitos negativos dos OGM – equivalente ao consenso sobre as alterações climáticas. Em maio, esse entendimento foi reforçado, com a publicação de um relatório, com 400 páginas, das Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA, que analisou mais de mil estudos sobre OGM, feitos ao longo de 30 anos. Na verdade, não há razões para serem diferentes dos produtos convencionais – até a mais simples couve moderna é o resultado de incontáveis cruzamentos genéticos que a transformaram no que é hoje. O facto de essa manipulação genética ser feita em laboratório não a torna mais perigosa. Quanto ao ambiente, o relatório também reitera que não há riscos acrescidos. Se, por um lado, certos OGM podem conduzir a um maior uso de alguns fitofarmacêuticos, em culturas resistentes a pesticidas, também leva a uma redução de inseticidas, nas plantas modificadas para resistirem por si mesmas às pragas.

Mito

O vegetarianismo é a solução para as alterações climáticas

Realidade

Claro que legumes e frutas emitem muito menos dióxido de carbono do que carne. Mas por unidade calórica nem sempre. Nessas contas, feitas por um estudo da universidade americana de Carnegie Mellon, a alface, por exemplo, é melhor do que a vaca, mas pior que todas as outras carnes; já o tomate emite proporcionalmente duas vezes mais do que frango. Por outro lado, arroz, farinha e batatas têm emissões muitíssimo baixas, incomparáveis a qualquer carne.

Mito

O carro elétrico não emite dióxido de carbono

Realidade

É verdade que, localmente, as emissões são zero. Mas a eletricidade tem de ser produzida de alguma maneira. Se tiver origem numa central a carvão, é poluente: o fumo não sai do (inexistente) tubo de escape, mas já saiu antes pelas chaminés da termoelétrica. Portanto, tudo depende do mix energético de cada país. No nosso caso, mais de 60% da energia elétrica é já produzida a partir de renováveis, o que significa que, grosso modo, um veículo elétrico polui apenas 40% do que um a gasolina.

Mito

Plantar árvores é uma das soluções para combater o aquecimento global

Realidade

Depende da região. Quanto mais próximo dos trópicos, melhor. O efeito sugador de dióxido de carbono das árvores, aí, é grande. Mas em latitudes mais altas o resultado líquido pode ser nulo ou mesmo negativo, porque o calor fica retido no solo; em solos despidos, com climas frios, o efeito albedo é muito maior – uma grande quantidade de luz solar acaba por ser refletida no solo coberto de neve branca. O potencial de sequestro de carbono das árvores, nestes casos, não compensa a redução do albedo.