José Saramago morreu, às 11h45 (hora portuguesa) desta sexta-feira, dia 18 de Junho, vítima de cancro, em Lanzarote. Tinha 87 anos.

De acordo com o seu editor, Zeferino Coelho, o autor português encontrava-se doente mas em estado "estacionário", mas a situação agravou-se.

José Saramago morreu "estando acompanhado pela sua família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila", diz o comunicado oficial da Fundação do escritor, acrescentando que o escritor morreu na sequência de "uma múltipla falha orgânica, após uma prolongada doença".

José Saramago nasceu na aldeia ribatejana de Azinhaga, concelho de Golegã, no dia 16 de Novembro de 1922, embora o registo oficial mencione o dia 18.

Nobel da Literatura em 1998, o escritor passou grande parte da sua vida em Lisboa, onde cedo se empregou como serralheiro mecânico. A paixão pela leitura levava-o, no entanto, a passar noites na biblioteca do Palácio das Galveias.

O primeiro romance chega quando Saramago contava 25 anos. Terra do Pecado "nasceu" em 1947, mesmo ano da sua filha, fruto do primeiro casamento, em 1944. Mais de quatro décadas depois, casar-se-ia com a jornalista e tradutora espanhola María del Pilar del Río Sánchez.

Da vasta obra do polémico autor constam títulos como Levantado do Chão, Memorial do Convento, A Jangada de Pedra e O Evangelho Segundo Jesus Cristo, o mais controverso dos seus livros. Ensaio Sobre a Cegueira, Todos os Nomes, A Caverna, O Homem Duplicado, Ensaio Sobre a Lucidez (2004) são outros títulos do escritor.

A última polémica em que se viu envolvido diz respeito ao seu livro Caim, lançado no ano passado, no qual regressou ao tema religioso, contando, em tom irónico e jocoso, a história de Caim, filho primogénito de Adão e Eva, quase duas décadas após o escândalo provocado pela sua obra O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991).

Funeral em Lisboa, cinzas em Lisboa
A câmara ardente com os restos mortais de José Saramago foi instalada, na Biblioteca José Saramago na localidade de Tías, na ilha espanhola Lanzarote.

Um avião do Governo português recolheu, este sábado, o corpo de José Saramago e transportou-o para a capital portuguesa onde será realizada uma cerimónia fúnebre.

O corpo do escritor José Saramago entrou nos paços do concelho de Lisboa às 14h33, numa urna coberta pela Bandeira Nacional, ao som de uma salva de palmas.

Para domingo está prevista a cremação dos restos mortais do escritor, sendo que, ao contrário do chegou a ser avançado por alguma imprensa espanhol, as cinzas deverão permanecer, por vontade expressa de Saramago, em Portugal.

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa disse, este domingo, que as cinzas do escritor José Saramago descansarão na capital portuguesa, cidade que considerou ser uma das personagens da sua obra "a que ele dedicou mais amor".

"As cinzas de José Saramago descansarão na cidade de Lisboa, mas a sua obra é uma obra que é património de toda a humanidade e a sua mensagem, o seu desassossego, continuarão a desinquietar-nos e a desinquietar todos aqueles que lerem a sua obra", disse António Costa, no Salão Nobre dos Paços de Concelho de Lisboa, onde o corpo do escritor se encontra em câmara ardente.

"Obrigado, José Saramago", acrescentou o presidente da Câmara Municipal de Lisboa.