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Na mesma semana em que soube que fora seleccionada para o curso geral de gestão Jumpstart, "oferecido" pelo Instituto de Formação de Executivos da Universidade Nova de Lisboa, Cátia Palma recebeu um convite para voltar ao mercado de trabalho. "Não há fome que não dê em fartura!", havia de comentar, mais tarde, quando se certificou de que conseguira um emprego. Nove meses depois de ter saído da Biplano, uma empresa de licenciamento de marcas, teve de renunciar ao curso (era apenas para desempregados) e de mudar a sua rotina. Baralhou-se entre a alegria de estar empregada e a tristeza de perder a oportunidade da pós-graduação.

Hoje, e há apenas 15 dias, Cátia, 36 anos, é outra vez delegada de propaganda médica, profissão que tinha deixado há quase uma década. Trabalha na Dermoteca, uma farmacêutica dedicada à dermatologia, de que foi funcionária de 1995 a 1998. A sua administradora, Cristina Varandas, contactou-a por telefone, desafiando-a a voltar.

Será Cátia a "apregoar" aos dermatologistas uma nova linha de produtos de cosmética selectiva. Antes de sair para a rua, no seu novo carro e com um novo telemóvel (regalias da empresa), teve formação com uma especialista em Farmácia e estudou a fundo as propriedades dos cremes que tem de ajudar a lançar. Sublinhou as suas cábulas, escreveu na mão as palavras mais difíceis, ensaiou o discurso à volta da mesa da sala de reuniões. Tudo para saber a lição na ponta da língua.

Entretanto, Cátia continuou a estudar. E terminou o primeiro ano da licenciatura em Marketing e Comunicação Empresarial. Como delegada de propaganda aufere de uma grande flexibilidade de horário - só irá à sede da empresa, no centro de Lisboa, de 15 em 15 dias - e para o ano poderá ir de novo às aulas, ao final da tarde. Conseguirá, também, embora com mais esforço, acompanhar o crescimento dos dois filhos pequenos.

E nem o facto de passar a ganhar substancialmente menos do que ganhava enquanto account manager a desanima. "Pelo menos deixo de ter o rótulo de desempregada", diz, enquanto olha para o último cheque do subsídio estatal, que ainda guarda na carteira.


Trabalho, encontra-se
Gonçalo Rosa da Silva

Voltar a casa

Pedro Dias não tinha conseguido sequer começar a trabalhar. A vida deste  o jovem licenciado em Engenharia Civil, de 27 anos, deu, finalmente, uma reviravolta. Os numerosos currículos que enviou de forma espontânea deram resultado. Em meados de Maio, uma empresa do Norte do País contratou-o para a fiscalização da obra de construção de SCUTs (auto-estradas), em São Miguel, Açores, de onde é natural. "Numa sexta-feira, telefonaram-me e deram-me o fim-de-semana para pensar na proposta. Na segunda-feira, já estava no Porto a assinar o contrato e, uns dias depois, aterrava nos Açores", lembra. Apesar de só ter terminado a tese de mestrado em Abril, Pedro começou a enviar candidaturas de emprego em Janeiro. Cinco meses e mais de cem currículos depois, conseguiu. "Estou muito contente. É certo que deixei a minha namorada e os meus amigos em Lisboa, mas não podia perder esta oportunidade, sabia lá quando iria surgir outra", diz, aliviado.


Ganhar menos, mas trabalhar

Trabalho, encontra-se
Nuno Fox

Célia Martins está a gozar os poucos dias de férias a que tem direito, após ter trabalhado como assistente administrativa, na Conservatória de Portimão, no Algarve. Esteve ali seis meses, ao abrigo do Programa Ocupacional de Desempregados. E, agora, ao despedir-se dos colegas, não consegue  evitar uma lágrima.

No entanto, as razões da despedida não podiam ser melhores: Célia deixará de receber subsídio de desemprego a partir de meados de Julho. Nessa altura, começará a trabalhar, como auxiliar pedagógica, num colégio novinho em folha, perto de sua casa, em Portimão. Numa das múltiplas diligências para arranjar emprego, tinha deixado o seu currículo nesta escola ainda em obras, mas já perdera a esperança de que algum dia a chamassem. Quando isso aconteceu, rejubilou de alegria. Foi à entrevista, "muito nervosa", e ficou. Ainda não assinou o contrato, mas sabe que vai ganhar menos do que recebe actualmente (subsídio de desemprego mais 20%), no tal programa ocupacional. Abraçar "um projecto novo, com óptimas infra-estruturas" é, neste momento da sua vida, mais importante do que um ordenado. Ou que umas férias, a que não terá direito tão cedo.

Mas de dias sem actividade estavam todos fartos...