A frequente passagem de monges recitando as suas orações matinais, ecoa de pedra em pedra, à medida que os primeiros raios de sol se espalham sobre as torres e transformam as águas plácidas do fosso numa faixa de prata líquida - uma espantosa cena que é tão assombrosa como humilde e que só poderia acontecer naquele momento! Contudo, este milagre vem-se repetindo todos os dias desde há um milhar de anos. Os antigos habitantes desta cidade celestial acreditavam que o caminho de Angkor Wat ligava o mundo dos homens ao mundo dos deuses. Esta é a mística intemporal que atrai os visitantes ao Camboja; este é o ritmo que pulsa em todos os que ouvem o bater etéreo do seu coração; isto é Angkor.


Guardámos para o pôr de sol do final da tarde a visita ao Templo de Angkor Wat. Considerado o hightlight da região de Angkor, este grande e maciço templo é uma obra de arte inultrapassável! Começado durante o reinado de Surayavarman II (1113-1150), levou cerca de 30 anos a construir e só foi completado depois da sua morte. Edificado como Templo Hindu e consagrado à divindade Vishnu, está virado para oeste, a direção associada com a morte na cosmologia Hindu. Mas também poderia ter tido como finalidade, segundo alguns historiadores, o Mausoléu de Surayavarman II. Com as suas cinco torres quincunx simbolizando os picos do Monte Meru, é o exemplo clássico das "Montanhas Templo" designadas para representar o universo Hindu. Estas torres erguem-se a uns espantosos 65 metros(!)e encontram-se no último de três níveis separados.


Mas o mais importante elemento deste imenso Templo, são os mais belos baixos-relevos que aqui vi e que cobrem as paredes das galerias que, formando um quadrado, cercam o Templo. A área do complexo tem cerca de 210 hectares e está rodeada por um enorme fosso cheio de água, com 200 metros de largura.


As gravuras e os baixos-relevos são os maiores do Mundo e contam-nos, entre outras, a batalha de Kuruksetra, do épico hindu Mahabharata, o Churning of the Sea of Milk, que é talvez o mais famoso painel que adorna a face da galeria oriental, uma batalha entre deuses e demónios e a galeria dos 1000 Budas (da qual restam apenas alguns fragmentos), cenas do paraíso e do inferno, a vitória de Krishna sobre Bana e a de Vishnu sobre os demónios. 


E foi com esta visita que me despedi do Camboja e dos seus preciosos legados à Humanidade! Mas não antes de descansar no nosso magnífico hotel "La Résidence d'Angkor", que pertence à famosa cadeia Pansea Orient-Express, construído em estilo "khmer, em bambus, madeira e pedra, um local de frescura e tranquilidade situado em frente ao rio, rodeado de frondosos jardins, no coração da cidade de Siem Reap e que não posso deixar de mencionar e deixar-vos algumas imagens.